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Andrea Chénier no Teatro Nacional de São Carlos
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15 de julho, 2022 0 Por António Lourenço
  • 4Minutos de leitura
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Andrea Chénier

 

Com música do compositor Umberto Giordano-1867-1948, esta ópera baseia-se na vida real do poeta francês Andrea Chénier – nascido em 1762 em Istambul e precocemente executado em 1794, pela sua contestação aos excessos do período chamado do terror.

 

André Chénier

Retrato de André Chénier por Joseph-Benoît Suvée, Beaux-Arts de Carcassonne

 

Filho de mãe grega, cedo evidenciou gosto, pelos poetas da Hélade, e entusiasticamente abraçou a poesia clássica, lendo na língua grega original. Frequentou os sofisticados salões da aristocracia, enfatizando ainda assim, as intrigas, paixões, ciúmes e invejas e os excessos, também, do clero.

O imortal escritor Balzac na sua obra Ilusões Perdidas, faz alusão ao poeta.

Vítima da sua cultura, na sua poesia sensual e emocional, foi um verdadeiro precursor do movimento Romântico.

Ainda muito jovem escreve Elegias, seguindo-se Bucólicas e, Novas Elegias. Vai viver para Londres, onde escreve Invenção, aqui expondo a sua doutrina teórica, incindindo a sua confiança na ciência e fé no progresso, mas não se adapta ao ambiente da capital inglesa.

 

Andrea Chénier,  Foto © Antonio Pedro Ferreira/TNSC

Andrea Chénier ,  Foto © Antonio Pedro Ferreira/TNSC

 

Seguindo-se duas grandes epopeias: Hermes e América , de um lirismo cósmico, semelhante ao dos gregos, opta pelas formas clássicas e renovação dos versos franceses.

Andrea Chénier, opõe-se aos Jacobinos liderados por Robespierre, prevaricadores e praticantes de excessos extremistas e pós a execução na guilhotina do rei Luís XVI (que chegou a defender), é encarcerado (1794) na prisão de Saint-Lazare. Aí, escreve A Jovem Cativa  (elegia à vida e à esperança) e Lambes , condenando os Jacobinos, na sua radicalidade e são as suas observações que vão desencadear a sua condenação à morte.

Nos três dias que se seguiram, o próprio Robespierre, paradoxalmente vai subir ao cadafalso.

 

Andrea Chénier, a Ópera

 

Esta peça, não era cantada há 55 anos no Teatro Naciona de São Carlos.

Tivemos a felicidade de assistir às récitas de 1967, cujo protagonista foi o consagrado e célebre Tenor Franco Corelli.

O Argumento baseia-se nos amores do poeta (interpretado pelo tenor Marco Berti), com Madallena de Coigny-interpretada por Elizabeth de Matos (2 récitas) e Svetla Vassileva (uma récita).

A ópera em 4 Atos, com música de Giordano, que de entre as várias obras que compôs, só duas ficaram célebres: Fedora  e esta Andrea Chénier.

O 1º Ato passa-se na sala de baile de Coigny em 1789. Um dos criados Carlo Gerard, o barítono Claudio Sgura, que ama secretamente a sua ama Madallena, destila escárnio e ódio sobre os aristocratas. Chega o poeta e canta uma das 3 arias, cantadas pelo tenor, que são das mais belas do reportório para Tenor, improvisa um poema, contrastando a beleza da vida, com a ganância do clero:  “Un di al azuro spasio…” muito bem cantada pelo Tenor lírico spinto , Marco Berti, que cantou durante 15 anos na Arena de Verona.

2º Ato – Junho de 1973 – A revolução é desencadeada e instala-se o terror dos Jacobinos. Um amigo convence Chénier, e insiste empenhadamente a que ele fuja, mas o poeta espera por uma mulher que lhe tem enviado cartas anónimas, quando Madallena aparece, caem nos braço um do outro.

Gérard agora um revolucionário, luta e Chénier vai feri-lo, no entanto deixa-o fugir.

3º Ato – 1  ano depois, o poeta é conduzido perante o Tribunal, Gérard apesar de antes o ter acusado, tenta agora defender Chénier,  bem como a sua amada. Não obstante o poeta é condenado à morte. Ouve-se a aria Si fui Soldato 

4º Ato- Andrea Chénier aguarda na prisão a sua execução, antes ouvimos a célebre aria, cantada por Madallena (soprano) La mamma morta, que toma o lugar de outra condenada, com um filho, oferecendo-se para morrer com Chénier.

 

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Andrea Chénier,   Foto © Antonio Pedro Ferreira/TNSC

 

Num dueto esplendoroso, os dois amantes caminham para a guilhotina.

A cenografia de William Orlandi compondo-se de colunas dóricas, beneficiou de um palco rotativo, que as fazia mudar consoante as cenas representadas, num tom pastel, com figurinos de época.

Queremos salientar o soprano Elizabete de Matos, que excedeu as nossas expectativas, dado o seu timbre de spinto , algo envolvente. Quanto a Gérard, barítono que brilha na aria Nemico della  Patria  é dotado de um bom volume e projeção de voz, mas algo rígida. Os restantes cantores portugueses cumpriram bem. A orquestra dirigida pelo Maestro residente Antonio Pirolli, imprimiu sonoridade intensa, embora desejássemos que não cobrisse as vozes nos finais.

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O Maestro do coro, Giampaolo Vessella, que recentemente ingressou no Teatro, esforçou-se bastante, dado a problemática, das vozes masculinas, com bastantes anos, precisando de ser insufladas de sangue novo. Falámos com o jovem Maestro, que nos mostrou o seu empenhamento, em guindar o Coro do Teatro Nacional de São Carlos, a altos voos.


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Melómano e cinéfilo inveterado com décadas a ver e ouvir o que de melhor foi e é Produzido e Realizado no Cinema, Teatro e Canto Lírico.

Jaime Roriz Advogados Artes & contextos