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29 de Setembro, 2020
Sylvia Beach e a Shakespeare and Company

Sylvia Beach com James Joyce (Princeton Alumni Weekly Archives, 16 fevereiro 1965)
Beach fundou a loja em 1919, encorajada (e financiada) pela sua sócia Adrienne Monnier, proprietária de uma livraria de literatura francesa. A livraria Shakespeare e Companhia, de literatura maioritariamente inglesa, tornar-se-ia uma biblioteca apta para efetuar requisitos de livros, um posto de Correios, um Banco e até um hotel para autores que ali se reunissem. Ela apoiou os grandes modernistas expatriados e hospedou escritores franceses como André Gide e Paul Valéry. Também publicou a obra Ulysses, de James Joyce, em 1922, quando mais ninguém o faria, depois de excertos anteriormente publicados terem sido considerados “obscenos”.
Joyce foi moldado por Paris, e tinha uma grande dívida de gratidão para com Beach, tal como os leitores de Ulysses têm, quase 100 anos depois. Quarenta anos depois da publicação do romance, Beach viajou até à Irlanda para celebrar e deu a longa entrevista abaixo, na qual relembra aqueles tempos de glória. Ela também conta a história de como a filha de um ministro presbiteriano – que frequentava a igreja em Princeton, NJ com Grover Cleveland e Woodrow Wilson – foi pioneira na livraria modernista lésbica em Paris.

Beach lembra-se de conhecer “todos os escritores franceses” na loja de Monnier depois do período em que estudou em Sorbonne e como os escritores norte-americanos vieram todos para Paris para escapar à censura. “Para Hemingway e a maioria dos seus amigos”, diz uma historiadore de Harvard, Patrice Higonnet, “Paris fora um bom destino e ainda mais agradável porque não ter sido muito caro.” Para Beach, Paris tornou-se um lar, e a Shakespeare and Company uma casa longe de casa para as ondas de expatriados até que os Nazis a fecharam, em 1941. (Dez anos mais tarde uma outra Shakespeare and Company foi inaugurada pelo vendedor de livros, George Whitman)
“Estavam irritados nos Estados Unidos porque não conseguiam sequer pedir uma bebida”, diz Beach, “e também não conseguiam ter a obra Ulysses. Costumava achar que essas eram as duas causas do seu descontentamento.”
As suas entrevistas, cartas, o seu próprio livro de memórias e a Shakespeare e Companhia contam a história da Geração Perdida do seu ponto de vista, animado por uma devoção absoluta à literatura e, em particular, a Joyce que, por sua vez, não correspondia. Quando Ulysses foi vendido à Random House, em 1932, não lhe ofereceu nem uma parte do seu grande adiantamento.
Beach era condescendente. “Percebi logo”, disse ela, “que trabalhar com ou para o sr. Joyce, o prazer – que era imenso – era meu, e os lucros eram para ele.” Ela fazia mais do que apenas gerir um negócio. Estava a “fertilizar”, tal como o escritor francês Andre Chamson dizia. “Ela fez mais para unir Ingalterra, os Estados Unidos, a Irlanda e França do que os quatro grandes embaixadores combinados.” Ela fê-lo dando aos escritores o que eles precisavam para fazer o trabalho que ela sabia que eles podiam fazer, numa altura e num local muito raros em que tal coisa foi brevemente possível.
Este artigo foi traduzido do original em inglês por Carolina Rocha
O artigo original foi publicado em @Open Culture
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