O Azul YInMn, o primeiro tom de azul descoberto desde há 200 anos Artes & contextos yinmn blue the first shade of blue discovered in 200 years is now available for artists

O Azul YInMn, o primeiro tom de azul descoberto desde há 200 anos

24 de fevereiro, 2021 0 Por Artes & contextos

O Azul YInMn

 

“A cor faz parte de um espectro, logo, não se pode descobrir uma cor”, diz o Professor Mas Subramanian, um químico especializado no estado sólido da Universidade Estatal de Oregon. “Só se pode descobrir um material que é uma determinada cor” – ou, mais precisamente, um material que reflete a luz de tal forma que a percebemos como uma cor. Modéstia científica à parte, Subramanian foi de facto creditado com a descoberta de uma cor – o primeiro tom de azul inorgânico descoberto desde há 200 anos.

Denominado “YInMn blue” (que aqui referiremos como Azul YInMn) – e carinhosamente apelidado de “MasBlue” no Estado do Oregon – o nome desajeitado do pigmento deriva da sua composição química de óxidos de ítrio, índio e manganês que, juntos “absorveram comprimentos de onda vermelhos e verdes e refletem comprimentos de onda azuis de tal forma que saem com um aspeto azul muito brilhante”, nota Gabriel Rosenberg na NPR. É. De facto, um azul nunca antes visto, uma vez que não é um pigmento natural, mas sim literalmente cozinhado em laboratório, e por acidente.

A descoberta, se é que podemos usar esta palavra, deve ser também creditada ao aluno de pós-graduação de Subramanian, Andrew E. Smith que, durante uma tentativa em 2009 de “fabricar novos materiais que poderiam ser usados em eletrónica”, aqueceu a mistura particular de químicos a mais de 2000 graus Fahrenheit. Smith notou que “tinha ficado com uma cor azul surpreendente e brilhante [e] Subramanian sabia imediatamente que era algo de importante “. Porquê? Porque a cor azul é de grande importância.

 

 

É importante notar que os humanos foram descobrindo as cores ao longo de grandes períodos de tempo, durante os quais aprendemos a ver o mundo em tons e matizes que os nossos antepassados não conseguiam distinguir. “Alguns cientistas acreditam que os primeiros humanos eram na realidade daltónicos”, escreve Emma Taggart no My Modern Met, “e só conseguiam reconhecer o preto, branco, vermelho, e só mais tarde amarelo e verde”. Ou seja, o azul não existia para os humanos primitivos. “Sem qualquer conceito da cor azul”, escreve Taggart, “eles simplesmente não tinham palavras para a descrever”. Isto até está presente na literatura antiga, como na Odisseia de Homero”, com os seus “mares negro-vinícola”.

 

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Foto de Oregon State University

 

O mar e o céu só começaram a assumir as suas cores atuais há cerca de 6 000 anos quando os antigos egípcios começaram a produzir pigmento azul. A primeira cor conhecida a ser produzida sinteticamente é, assim, chamada Azul Egípcio, criada usando “calcário moído misturado com areia e um mineral contendo cobre, como a azurite ou malaquite”. O azul ocupa um lugar especial na nossa lexicografia de cor. É o último nome de cor a desenvolver-se nas culturas e uma das cores mais difíceis de fabricar. “As pessoas procuram um azul bom e duradouro há alguns séculos”, disse Subramanian à NPR.

E assim, o Azul YInMn tornou-se sensação no meio dos fabricantes e artistas industriais. Patenteado em 2012 pela OSU, recebeu aprovação para uso industrial em 2017. Nesse mesmo ano, o fornecedor de tintas australiano Derivan lançou-a como uma tinta acrílica chamada “Oregon Blue“. Foram necessários mais alguns anos para que a Agência de Proteção Ambiental dos EUA o aceitasse, mas finalmente aprovaram o Azul YlnMn para uso comercial, “tornando-o acessível a todos”, escreve Isis Davis-Marks no Smithsonian. “O pigmento autenticado está agora disponível para venda nas lojas de tintas como a Golden nos EUA”.

 

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Foto de Oregon State University

 

O novo azul resolve uma série de problemas com outros pigmentos azuis. Não é tóxico e não tem tendência a desvanecer-se, uma vez que “reflete o calor e absorve a radiação UV”. O Azul YInMn é “extremamente estável, uma propriedade há muito procurada num pigmento azul”, diz Subramanian. E também preenche “uma lacuna na gama de cores”, diz o fabricante de fornecimentos de arte Georg Kremer, acrescentando: “A pureza do Azul YInMN é realmente perfeita”.

Desde a primeira descoberta acidental de cor, “Subramanian e a sua equipa expandiram as suas pesquisas e fizeram uma gama de novos pigmentos para incluir quase todas as cores, desde laranjas brilhantes a tons de roxo, turquesa e verde”, observa o Departamento de Química da Universidade do Estado de Oregon. No entanto ainda nenhum deles teve o impacto do novo azul.

Saiba mais sobre as propriedades químicas únicas do Azul YInMn aqui e veja a TED Talk do Professor Subramanian sobre a sua descoberta mais acima.

Este artigo foi traduzido do original em inglês por Constança Costa Santos

O artigo original foi publicado em @Open Culture
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Jaime Roriz Advogados Artes & contextos

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