A&c é tão bom estar em casa - Cultura em tempos de Recolhimento

Cultura em casa #4

1 de janeiro, 2020 Desligado Por Laura Carvalho Torres

Cultura em casa

 

#EuFicoEmCasa não pode ser apenas mais uma hashtag

 

Nunca é de mais repetir:

A cultura é um fator agregador, comunitário, espiritual, e age como tal, mesmo em tempos de crise, como a atual em que, para nos pouparmos e pouparmos os outros, nos vemos “obrigados” a um confinamento doméstico.
Lamentamos pelos infetados e desejamos com toda a força a sua recuperação, lamentamos profundamente pelas famílias e amigos dos que não venceram, mas temos que continuar.

Em casa!

Mas isso não tem que ser mau, pois não? Afinal, estamos nas nossas casas, no nosso ambiente.


 

Última semana de Abril, último artigo do mês. Mais uma vez, muito obrigada pela atenção que têm dispensado à coluna, tal como às sugestões que vos tenho dado.

Para quem ainda não ouviu, aproveitem e acedam ao nosso website no separador Podcast, ou então, nos nossos canais de YouTube, Spotify, iTunes Podcast, iHeart Radio Podbean e Buzzprout, e oiçam o nosso mais recente episódio de dia 21. Para a semana há mais!

No sábado celebrou-se o dia 25 de Abril, uma data com um enorme impacto para o país: a celebração e o festejo da – e pela – liberdade e democracia, onde, mesmo em casa, podemos ser livres, aceder à arte e à cultura sem restrições. Sabemos que mesmo, nos dias que correm, ainda existem muitos polos a nível mundial onde isto não é uma realidade, nem de perto. Somos afortunados, por isso.

Grande parte da população tem como tradição anual celebrar em família tamanha data, com cravos pela mão, ecoando o Hino Nacional e diversos hinos musicais da revolução, na rua. Infelizmente, este ano é, e será sempre um ano diferente. Mas, nem por isso, deixámos de ser prendados com documentários e filmografia dedicados à data.

Começando por aí, a RTP voltou a cumprir o seu papel: no canal 1, dia 25, pelas 14:18h Salgueiro Maia – Rumo à Eternidade; pelas 15:04h As Ondas de Abril; pelas 16:40h Capitães de Abril; às 21:58h e 23:29h, As Armas e o Povo e Retratos de Abril, respetivamente. Dia 24 já havia sido emitido No dia em que…, que, segundo a sinopse: «A operação que esteve na origem da Revolução do 25 de Abril de 1974 foi fulgurante. Culminou no Largo do Carmo, 21 horas depois do arranque das operações, com a rendição do Presidente do Concelho de Ministros da ditadura, Marcello Caetano, às forças revolucionárias comandadas por Salgueiro Maia».

Ainda no sábado, dia 25, foi emitido o último episódio da 6ª temporada da famosa série Conta-me Como Foi. A segunda parte chega em Outubro, e, ansiosamente, vamos aguardar por ela! É daquelas produções que já me acompanha desde miudinha, com um cunho histórico e moral bastante forte, para ver em família, e nos deliciarmos com aquela maravilhosa banda sonora. Podem ver a série, de forma integral, na RTP Play.

Ontem às 15:20 a RTP1 emitiu Amália, o Musical, produção pelas mãos de La Féria, e que conta com 59 artistas no seu elenco. A não perder!

Como sempre, a Medeia Filmes continua a dar-nos a oportunidade de ver magnificas obras cinematográficas, de forma gratuita, com a sua “Quarentena Cinéfila”. A partir de amanhã, eis a programação:

  • A CATIVA (2000), de Chantal Akerman
    Com: Liliane Rovère, Olivia Bonamy, Stanislas MerharA CATIVA marcou o regresso da belga Chantal Akerman à realização, depois de Um Divã em Nova Iorque. Desta vez, Akerman enfrentou o grande desafio de transpor para a tela um romance de Marcel Proust. Em A CATIVA (La Prisonnière, de Proust), Simon (Stanislas Merhar) aloja em sua casa a sensual Ariane (Sylvie Testud). O jovem quer saber tudo sobre ela, controla tudo o que ela faz e submete-a a incessantes interrogatórios. Mas Ariane parece estar distante e inacessível, fechada no mundo incompreensível das mulheres.«[A Cativa] recupera essa experiência decisiva (em termos figurativos e narrativos) do filme, romântico e não só, sobre o “par”. E dedica-lhe uma sucessão de alguns dos mais belos planos do cinema contemporâneo.» Vasco Câmara, Público«Com uma banda sonora impecável (que conta com Rachmaninov e Schubert) e com performances perto da perfeição, A CATIVA é uma obra rica e recompensadora e mais uma evidência de um dos mais singulares talentos do cinema.» David Wood, BBC«Fiquei impressionado […] com a engenhosa assimilação de uma rica gama de influências cinematográficas de Akerman, e, em particular, através da sua transformação de uma obra literária numa obra cinematográfica que refracta, com um modernismo distinto, um género particular, mais propriamente, o melodrama.» Richard Brody, The New Yorker«O filme austero, mas excelente de Akerman remove todas as divergências de delicadeza de Proust.» Stuart Jeffries, The GuardianFestivais e Prémios:
    – Festival de Cinema de Cannes 2000 – Quinzena dos Realizadores
    – Festival Internacional de Cinema de Toronto 2000
    – Festival Internacional de Cinema de Roterdão 2001Disponível a partir das 12h, até às 12h de quinta-feira, 30 de Abril
  • Quinta-feira, 30 de Abril
    TODOS OS SONHOS DO MUNDO (2017), de Laurence Ferreira BarbosaCom: Paméla Constantino Ramos, Rosa da Costa, Antonio Torres Lima, Mélanie Pereira, Lola Vieira, Alexandre Prince, David MurgiaPaméla é uma jovem portuguesa, nascida em França. No emaranhado das suas contradições, dos seus insucessos e do amor absoluto pela sua família, sente-se perdida e parece estar incapacitada de imaginar como poderia viver a sua vida… Sobretudo porque só gosta de tocar piano e patinar no gelo. Vai, contudo, desbravar o seu próprio caminho entre França e Portugal.«O regresso da realizadora à ficção com Todos os sonhos do mundo mostra uma verdadeira delicadeza tanto na escrita como na interpretação (a jovem heroína Pamela Ramos, notável).» Cahiers du Cinéma«Laurence Ferreira Barbosa assina um belo filme, simples e radiante, oferecendo ao cinema o rosto de uma jovem actriz muito promissora (Paméla Ramos).» Positif«Laurence Ferreira Barbosa é sempre discreta e sempre marcante. Um olhar justo e sensível» Le FigaroFestivais e prémios:
    – Prémios Cineuphoria – Top 10 do Ano em Competição Nacional, para Laurence Ferreira Barbosa e prémio de Melhor Actriz em Competição Nacional para Paméla Constantino RamosDisponível a partir das 12h de quinta-feira, 30 de Abril, até às 12h de sábado, 2 de Maio

 

  • Sábado, 2 de Maio
    UMA PASTELARIA EM TÓQUIO (2015), de Naomi KawaseCom: Masatoshi Nagase, Kirin Kiki, Miyoko Asada, Etsuko Ichihara, Miki Mizuno, Kyara UchidaSentaro gere uma pequena pastelaria de dorayakis – uma especialidade japonesa que consiste em duas panquecas recheadas com doce de feijão (“an”, no original). Quando Tokue, uma senhora com cerca de 70 anos, se oferece para trabalhar na pastelaria de Sentaro, ele aceita com relutância. No entanto, Tokue rapidamente prova que a sua receita de “an” é mágica. Graças à sua receita secreta, o negócio de Sentaro floresce rapidamente… Com o tempo, Sentaro e Tokue abrem os seus corações, e desenvolvem uma relação de amizade que vai revelando também algumas feridas do passado.«A arte da gastronomia não se aprende verdadeiramente senão na intimidade partilhada pelos corpos sobre os fogões, nos murmúrios sibilinos, e nos encontros que alimentam o coração.» Le Monde«Todas as cenas na pastelaria entre as três personagens são belíssimas, cativantes e emocionantes. A sobriedade da cineasta é saborosa.» Le Nouvel Observateur«Esta elegância do filme opõe-se à brutalidade da sociedade que retrata Naomi Kawase. A cineasta conta-nos a violência surda deste mundo delicado.» PositifFestivais e prémios:
    – Festival de Cannes – Un Certain Regard
    – Festival de Toronto – Selecção Oficial
    – Mostra Internacional de São Paulo – Prémio do Público para Melhor Ficção Internacional
    – Semana Internacional de Cine de Valladolid – Melhor Realizador
    – Asia Pacific Screen Awards – Melhor ActrizDisponível a partir das 12h de sábado, 2 de Maio, até às 12h da terça-feira seguinte, 5 de Maio

 

Uma novidade interessante, e que me deixou muito animada: 5ª feira, dia 30 de Abril, às 21:45h a RTP1 vai transmitir, parcelado em 4 episódios, A Herdade, de Tiago Guedes. Os primeiros episódios serão transmitidos dia 30, e os dois restantes dia 1 de Maio, à mesma hora. Segundo o comunicado à imprensa: «A Herdade parte de uma ideia original de Paulo Branco e retrata a saga de uma família proprietária de um dos maiores latifúndios da Europa, na margem sul do rio Tejo. Protagonizado por Albano Jerónimo e Sandra Faleiro — com interpretações absolutamente brilhantes, tal como o restante elenco, que inclui vários dos melhores actores e actrizes nacionais e algumas grandes jovens promessas — somos convidados a mergulhar profundamente nos segredos desta Herdade, numa série única que faz o retrato da vida histórica, política, social e financeira de Portugal, dos anos 40, atravessando a Revolução do 25 de Abril e até aos dias de hoje.»

O filme integrou a Seleção Oficial da secção competitiva do Festival de Veneza, que já não contava com um realizador português à década e meia, e a Special Presentations do Festival de Toronto, para além de ter sido a escolha portuguesa para o Óscar de Melhor Filme Internacional.

O enorme sucesso fez com que o canal francês ARTE vá transmitir o filme, dia 11 de Julho, em horário nobre, dividido em 3 episódios.

 

A Arte Sonora partilhou com a imprensa uma série de interessantes documentários para ver durante a quarentena, querendo destacar, Pontas Soltas, de Ricardo Oliveira, que, em colaboração com a banda Capitão Fausto acompanhou o processo de elaboração do álbum Têm os Dias Contados. Disponível, de forma integral, no YouTube.

Os Radiohead arranjaram uma maneira interessante de entreter os fãs durante a pandemia: vão transmitir concertos até que a pandemia “acabe”. Basta aceder por aqui ao canal de YouTube da banda de Thom Yorke e companhia, e podem ver e ouvir os vários concertos que vão lá diponibilizando!

 

Até para a semana!

Jaime Roriz Advogados Artes & contextos
Por:
Laura Carvalho
Laura Carvalho Torres
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