Fairytale of New York

A História de “Fairytale of New York” dos The Pogues
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21 de dezembro, 2021 0 Por Artes & contextos
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The Pogues

 

 

(Artigo já publicado a 13 e dezembro de 2018)

Drugstore Cowboy, Barfly, Leaving Las Vegas, até Bonnie e Clyde… adoramos uma boa história sobre amantes condenados e desgraçados. Qualquer que seja o reservatório emocional em que se entreguem, quando bem escritas e honestas, tais histórias têm um amplo apelo cultural. O que em parte explica a popularidade esmagadora do clássico de 1987 de The Pogues Fairytale of New York, o tipo de “canção anti-Natal”, como escreve Dorian Lynsky no The Guardian, “que acabou por ser, durante uma geração, a canção de Natal”.

 

 

Muitas histórias de festas baseiam-se cinicamente no facto de que, para muitas pessoas, as festas são passadas com dor e perdas. Mas Fairytale of New York não é uma história para rir, nem utiliza o velho truque da redenção barata de última hora.

Cantada em dueto por Shane MacGowan e Kirsty MacColl com a melodia bêbada de uma balada folclórica irlandesa, a canção “é adorada porque se sente mais ‘real’ emocionalmente do que o sentimentalismo saudoso do ‘White Christmas'”. Mesmo que não possamos identificar-nos com a situação de um sonhador irlandês queimado a passar o Natal num tanque bêbado de Nova Iorque, podemos sentir a dor de sonhos desfeitos em alto relevo contra as luzes das festas.

 

 

A própria história da canção constitui um conto convincente, se acreditamos na história da origem nas memórias do acordeonista James Fearnley: Here ComesEverybody: The Story of the Pogues  ou naquela contada por MacGowan, que afirma que Elvis Costello, o produtor da banda, apostou com o cantor que ele não conseguiria escrever um dueto de Natal. (Fearnley escreve que eles estavam a tentar superar o Christmas Must Be Tonight, de 1977 de The Band).

 

Seja como for, uma canção de Natal foi uma boa ideia. “Para uma banda como os Pogues, muito enraizada em todo o tipo de tradições e não no presente, era uma canção inconsequente”, diz o tocador de banjo e co-autor Jem Finer. Para não mencionar o facto de MacGowan ter nascido no dia de Natal de 1957.

 

Finer começou a canção como um conto sobre um marinheiro com saudades da esposa no Natal, mas depois de a sua própria esposa a ter considerado pirosa, ele aceitou a sugestão dela para adaptar a verdadeira história de uns amigos mútuos que vivem em Nova Iorque”. MacGowan usou o título do romance de J.P. Donleavy de 1973 A Fairy Tale of New York, que por acaso se encontrava no estúdio de gravação. Após um começo promissor, a canção passou por dois anos de revisões e regravações antes de finalmente chegar à versão que milhões de pessoas conhecem e amam, produzida por Steve Lillywhite e lançada no álbum If I Should Fall From Grace with God,  de 1988.

Originalmente destinado a ser um dueto entre MacGowan e a baixista Cait O’Riordan, a versão gravada com ela “não estava bem lá”, disse o guitarrista Philip Chevron. Pouco depois, O’Riordan deixou a banda, e MacGowan gravou novamente a canção em Abbey Road em 1987, cantando ele próprio tanto as partes vocais masculinas como as femininas. Mais tarde, Lillywhite levou a faixa para casa para que a sua esposa, a cantora inglesa Kirsty MacColl, gravasse um vocal-guia provisório para as partes femininas. Quando MacGowan a ouviu, soube que tinha encontrado a voz certa para a personagem que interpreta na canção.

 

 

“Kirsty sabia exactamente a medida certa de malícia, feminilidade e romance a aplicar ela tinha um carácter muito forte e ele revelou-se em grande estilo”, observou mais tarde MacGowan numa entrevista.

“Nas óperas, se se tem uma ária dupla, é o que a mulher faz que realmente importa. o homem mente, a mulher diz a verdade”. Como parte da “maldade” da sua personagem, ela lança o insulto “paneleiro” a MacGowan, que lhe chama  “puta”” As palavras ofensivas foram censuradas em estações de rádio,  e depois não censuradas e algujmas boas manobras foram feitas para as passar (mais recentemente pelo DJ irlandês Eoghan McDermott no Twitter).

O próprio MacGowan emitiu uma declaração defendendo a letra como estando de acordo com as personagens. “Por vezes as personagens nas canções e histórias têm de ser más ou desagradáveis para contar a história de forma eficaz”, escreve ele, acrescentando:

“Se as pessoas não compreendem que eu estava a tentar retratar a personagem o mais autenticamente possível, eu lido bem comisso, mas não quero entrar numa discussão”.

Qualquer que seja a posição que se tenha sobre isto, é difícil negar que MacGowan, o co-escritor Finer, e MacColl atingiram totalmente o alvo no que respeita a autenticidade.

 

 

As emoções genuínas de Fairytale of New York, tornaram-no na canção de Natal mais adorada de todos os tempos na televisão, rádio, e sondagens de revistas no Reino Unido e na Irlanda. Tornou-se “muito maior do que as pessoas que a fizeram”, escreve Lynskey. Ou, como diz Fearnley, “é como se Fairytale of New York  tivesse explodido e habitado o seu próprio planeta”. Um artista não pode pedir mais.

Veja os vídeos making-of da BBC e da Polyphonic no topo. Veja a banda a mimetizar a canção, com Kirsti MacColl em Top of the Pops mais abaixo (MacGowan não sabe mesmo tocar piano). E aqui acima, o vídeo oficial, estrelado por Matt Dillon, da Drugstore Cowboy, filmado dentro de uma verdadeira esquadra de polícia no Lower East Side, durante uma semana gelada de Acção de Graças em 1987, para uma vérité máxima das festas.

Este artigo foi traduzido do original em inglês por Redação Artes & contextos

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O artigo original: The Story of The Pogues’ “Fairytale of New York,” the Boozy Ballad That Has Become One of the Most Beloved Christmas Songs of All Time, foi publicado @Open Culture
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Jaime Roriz Advogados Artes & contextos