Exodus - Bob Marley

Exodus, o álbum transcendente de Bob Marley, 1977

6 de maio, 2021 0 Por Artes & contextos

Exodus, Bob Marley

 

 

“As pessoas que se esforçam por tornar este mundo pior, não tiram um dia de folga. Como é que eu posso? ”, disse Bob Marley após uma tentativa de assassinato em 1976 na sua casa na Jamaica, na qual ele, a sua esposa Rita, o empresário Don Taylor e o funcionário Louis Griffiths foram alvejados e, incrivelmente, todos sobreviveram. A quem se referia exatamente? Ao Partido Trabalhista Jamaicano de Edward Seaga, cujos pistoleiros contratados supostamente realizaram o ataque? Foi, como alguns conspiracionostas alegaram, o People’s National Party, de Michael Manley a tentar transformar Marley mum mártir?

Apesar de seus esforços para o contrariar, Marley foi intimamente identificado com o PNP, e a sua atuação no Smile Jamaica Concert , agendada para dois dias mais tarde, foi amplamente considerada como um apoio à política de Manley

Quando ele fez sua declaração, agora famosa e desafiadora, da casa fortemente protegida do chefe da Island Records, Chris Blackwell, ele tinha acabado de decidir atuar no concerto – apesar do risco contínuo de ser morto a tiro em frente a 80.000 pessoas pelo ainda foragido assassino, ou qualquer outra pessoa paga pela CIA, que Taylor e o biógrafo de Marley, Timothy White, afirmam estar por detrás do ataque.

 

Exodus - Bob Marley

Exodus – Bob Marley, 1977

 

Marley não só apareceu no concerto, como acabou por ter “a performance da sua vida”, observou uma breve história do evento e “fecha o espetáculo a levantar a camisa, para mostrar à multidão os ferimentos de bala”.
Erroneamente noticiado como morto na imprensa após o tiroteio, Marley emergiu tal Lázaro, como um herói rastafari do povo. Depois deixou a Jamaica para fazer a sua declaração de carreira, Exodus , em Londres – tanto uma fusão da sua justa “raiva” política com devoção religiosa, celebração erótica e vibrações de paz, amor e unidade, como uma fusão de blues, rock, soul, funk, e até punk.

 

 

É um álbum muito diferente do que viera antes, em Rastaman Vibrations   de 1976 , que foi um álbum de “política dura e direta” e raiva “machista”,  escreveu Vivien Goldman , “com pormenores surpreendentes como ‘Rasta não funciona para nenhuma C.I.A. ” A apoteose que foi Exodus de 1977  começara, entretanto, não com o álbum anterior de Marley, mas com o concerto no Smile Jamaica.

O que deveria ter sido uma breve aparição não alinhada, de uma música, tornou-se após a filmagem “um set transcendental de 90 minutos para um país dilacerado por conflitos internos e intromissões externas”, disse Noah Lefevre na história do vídeo poliónico. “Foi o último concerto que Bob Marley darian na Jamaica por mais de um ano.”

Veja o concerto no Smile Jamaica acima e perceba no vídeo Polifónico abaixo, como “seis meses depois”, a 4 de Junho de 1977, Marley partiu no seu próprio êxodo e veio a gravar e a lançar o que a revista Time chamou o “álbum do século” – o disco que o “transformaria de um ícone nacional para um profeta global”.

 

 

 

 

Em Exodus , Marley consegue uma síntese de sons globais numa declaração criativa definidora dos seus principais temas. Marley estava “realmente a tentar dar à diáspora africana uma noção da sua força e … unidade”, disse Goldman à NPR no 30º aniversário do álbum , enquanto, ao mesmo tempo, “abraçava realmente em certa medida, – sabes – os brancos, dando o seu melhor para fazer funcionar um mundo multicultural. ”

Jaime Roriz Advogados Artes & contextos

Este artigo foi traduzido do original em inglês por Redação Artes & contextos


O artigo original How Bob Marley Came to Make Exodus, His Transcendent Album (…) foi publicado @ Open Culture
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