A experiência imersiva de Borondo sobre o património artístico Artes & contextos a experiencia imersiva de borondo sobre o patrimonio artistico

A experiência imersiva de Borondo sobre o património artístico

25 de maio, 2021 0 Por Artes & contextos

Gonzalo Borondo

 

O Museu de Arte Contemporânea Esteban Vicente (Segovia) expõe Hereditas, um projeto expositivo do criador Gonzalo Borondo que, através de diferentes linguagens e suportes, reivindica a natureza do museu como um espaço de preservação do património natural e cultural.

Esta exposição é uma intervenção complexa no espaço museológico que tem como objectivo questionar o passado partindo dos pressupostos do presente e, especificamente, valorizar a natureza do museu como um lugar onde preservar o nosso património para as gerações futuras e mostrar a maravilhosa capacidade da arte de trazer de volta à vida objetos que perderam a sua função original. Pretende também, prestar homenagem à natureza como fundamento da cultura e inspiração para a arte e símbolos religiosos

 

Video apresentação de HEREDITAS, exposição de Gonzalo Borondo no Museu de Arte Contemporânea Esteban Vicente. Dirigido por Jano Madriz & Javier Haro. Música: Villalar – Aire (Samain Music). Com a colaboração de Cristalerías Mavi | Insight | Escombrarte.

Hereditas oferece ao espectador  uma experiência imersiva, para além da mera contemplação e coloca-o perante uma “interação” do artista naquele mesmo local. Borondo iniciou este tipo de ações em 2017 (Cenere, Selci, Itália, foi a primeira), mas o que faz de Hereditas uma criação diferente de todas as que foram feitas até agora é que acontece num museu. Aqui, paradoxalmente, o  cubo branco (como o espaço de exposição tem sido chamado nos tempos modernos) é anulado, e convertido, valha o trocadilho, em  cubo preto,  e assim resgatar aquelas utilizações que o edifício tinha.

O Esteban Vicente Museum of Contemporary Art está instalado sobre um edifício em que as diferentes camadas que compõem a história de Segóvia, desde meados do século XV até ao presente, se sobrepõem. Era originalmente o palácio urbano do controverso Enrique IV, e após a sua morte, passou pelas mãos das famílias mais nobres da cidade, tornando-se mesmo Hospital dos Velhos, para mais tarde se transformar na escola de artes e ofícios e sede do Museu de Arte Sacra. Este edifício foi, portanto, testemunha de questões políticas, sociais e religiosas, que são as que inspiraram as várias intervenções do artista nas salas e corredores que compõem o museu.

 

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Uma das obras que compõem Hereditas, A complexa intervenção do Gonzalo Borondo no espaço do Museo de Arte Contemporáneo Esteban Vicente. Roberto Conte.

 

A exposição evoca as duas heranças fundamentais da humanidade: os patrimónios natural e cultural. A rota ascendente obrigatória desta experiência está estruturada em quatro capítulos ou “altares”. Os três primeiros são uma homenagem ao património natural, através do reino vegetal (Herba/herb), mineral (Petra/ pedra) e animal (Carnis/ carne); o quarto capítulo (Ether/ether) está reservado para o reino do imaterial, para aquela dimensão que emana da mente, tão necessária, tão misteriosa e tão difícil de delimitar.

 

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Uma das obras que compõem Hereditas, a complexa intervenção de Gonzalo Borondo no espaço do Museu de Arte Contemporânea Esteban Vicente. © Roberto Conte.

 

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Uma das obras que compõem Hereditas, a complexa intervenção de Gonzalo Borondo no espaço do Museu de Arte Contemporânea Esteban Vicente. © Roberto Conte.

 

Borondo

Uma das obras que compõem Hereditas, a complexa intervenção de Gonzalo Borondo no espaço do Museu de Arte Contemporânea Esteban Vicente. © Roberto Conte.

 

Gonzalo Borondo recuperou para esta exposição testemunhos originais do passado (esculturas, colunas, peças de gesso, nichos…), que por vezes são mostrados como são e por vezes recriados numa abordagem contemporânea. Com esta estratégia, transforma o olhar para o futuro, típico de um museu de arte contemporânea, num olhar amplo sobre o passado. Diversas linguagens e suportes diferentes: Instalações, pintura, projeções, animação, ilusões óticas, tecnologias digitais sofisticadas, efeitos sonoros… Criações e recriações com uma forte componente ilusionista, em que se destaca o carácter experimental, enquanto a maior parte do trabalho foi realizado no local onde é exibido.

 

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Uma das obras que compõem Hereditas, A complexa intervenção de Gonzalo Borondo no espaço do Museo de Arte Contemporáneo Esteban Vicente. © Roberto Conte.

 

Da perspetiva da arte contemporânea, Hereditas  compõe um conjunto de instalações numa criação site specific. É um trabalho coreográfico, que se afasta da lógica a que nos fomos habituando. Borondo intervém em todo o edifício, estendendo sua “interação” por todos os recantos. Altera o percurso convencional do espectador, proporcionando surpresas e momentos de verdadeiro prazer sensorial.

 

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Uma das obras que compõem Hereditas, Intervenção complexa do Gonzalo Borondo no espaço do Museo de Arte Contemporáneo Esteban Vicente. © Roberto Conte.

 

Esta exposição faz parte do projeto experimental Semillero de Arte, promovido pelo Museu Esteban Vicente em 2020, graças ao patrocínio da Diputación de Segovia e visa promover o trabalho de jovens artistas com um valor reconhecido, ligados à cidade.

A particularidade deste projeto é mostrar não só os trabalhos concluídos, mas também os processos (modelos, desenhos, …), que conduziram ao trabalho final.

 

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Gonzalo Borondo trabalha no seu projeto Hereditas. © Laura Aruallan.

 

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Imagem do projeto Hereditas de Gonzalo Borondo. © Laura Aruallan.

 

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Gonzalo Borondo trabalha no seu projeto Hereditas. © Laura Aruallan.

 

O Museu torna-se assim um reflexo do tecido artístico e cultural de Segóvia para dar visibilidade aos seus artistas mais jovens. Para este programa, que decorrerá durante quatro temporadas, José María Parreño, poeta, crítico de arte e curador independente, é o curador.

 

Sobre o autor

Gonzalo Borondo nasceu em Valladolid em 1989, mas foi em Segovia que cresceu e viveu até 2003, ano em que mudou para Madrid. A partir desse momento, a sua ligação com o graffiti, ativismo e com grupos de arte alternativa tornar-se-iam a sua verdadeira escola. Começou a trabalhar no espaço urbano, primeiro com um objetivo político e, mais tarde, com um conteúdo mais poético; fez obras em todos os EUA, Europa e até na Índia.

Desde 2010 tem mostrado interesse em estabelecer diálogos afectivos e perturbadores em espaços muito díspares. A partir de 2012, exposições individuais em Roma, Madrid, Paris e Londres têm sido fundamentais para a sua carreira. Está, desde 2017 focado na realização de projetos site-specific, fruto do diálogo com o contexto do lugar interveniente.

 

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Uma das peças que compõem Hereditas, A complexa intervenção de Gonzalo Borondo no espaço do Museo de Arte Contemporáneo Esteban Vicente. © Roberto Conte.

 

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Uma das peças que compõem Hereditas, A complexa intervenção de Gonzalo Borondo no espaço do Museo de Arte Contemporáneo Esteban Vicente. © Roberto Conte.

 

Em algumas destas intervenções teve a colaboração de outros artistas, que enriqueceram o projecto com as suas capacidades técnicas e criativas. Este modelo colaborativo acrescenta um aspeto curatorial aos seus últimos projetos. A heterogeneidade do seu trabalho torna difícil a atribuição de um estilo ou género específico.

Cada projeto impçica descobrir novos caminhos e assumir novos riscos. No entanto, todos eles são unificados, como o próprio artista declara, pela sua intenção de criar lugares, atmosferas, onde faz pulsar para o espectador todas as vidas do espaço intervencionado .

Museo de Arte Contemporáneo Esteban Vicente (Segovia) até 26 de Setembro de 2021

Este artigo foi traduzido do original em espanhol por Redação Artes & contextos


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Jaime Roriz Advogados Artes & contextos

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