Charlie Chaplin

Como seria o mundo de Charlie Chaplin a cores?

3 de novembro, 2020 0 Por Artes & contextos

Assista a uma versão restaurada a cores de A Night at the Show (1915)

Quando pensamos em Charlie Chaplin imaginamos um homem que existe apenas a preto e branco. A razão óbvia para tal, é que o mesmo se tornou, não só uma estrela de cinema, mas também um ícone cultural nas décadas de 1910 e 1920, época antes de os filmes terem sequer som, quanto mais cor.


Mas para atingir tal sucesso eram necessárias competências talhadas à medida do médium da altura: conseguir fazer as pessoas rir sem proferir uma única palavra, claro, mas também construir uma imagem que fosse instantaneamente reconhecida, mesmo em monocromático. Por esta razão, nem sempre sentimos que estamos a ver o “verdadeiro” Charlie Chaplin em fotografias a cores, tecnicamente mais realistas, ou mesmo em fotografias colorizadas. Mas o que é que sentiríamos se víssemos uma das suas comédias clássicas a cores?

Veja a versão colorida de A Night in the Show, disponível acima, para descobrir. Lançada originalmente em 1915, esta curta metragem de 25 minutos foi realizada por Chaplin, e conta com a participação do mesmo no duplo papel dos personagens Mr. Pest e Mr. Rowdy. Apesar de Mr. Pest fazer parte da alta sociedade e de Mr. Rowdy ser um simples trabalhador, ambos vão ao mesmo auditório assistir a uma atuação e ambos ficam igualmente inebriados pelas suas classes sociais díspares a produzir diferentes estilos de traquinices.

O inglês Chaplin tinha já aprimorado estas personagens em palco, tendo atuado no circuito dos auditórios desde a sua adolescência. É seguro dizer que quando entrou para Hollywood, o próprio Chaplin já tinha visto bem pior do que Pest and Rowdy.



A qualidade desta colorização poderá não gerar tanta controvérsia como outras transformações mais recentes, mas dá-nos uma ideia daquilo com que se pareceria um serão num auditório inglês do final do século XIX e início do século XX; uma recriação inestimável, agora que nenhum de nós tem memória desta experiência, outrora tão comum. Podemos mais facilmente imaginar o tipo de espetáculos que tais estabelecimentos teriam oferecido, incluindo tanto encantamentos de cobras e labaredas como as exagerações decrépitas que Chaplin tão vivamente satiriza. Também podemos considerar esta como a sua despedida desse ambiente: o seu personagem Tramp, apresentado no ano anterior e que viria a tornar-se no personagem mais adorado do público, assegurou a partida segura de Chaplin do mundo dos auditórios.

Este artigo foi traduzido do original em inglês por Constança Costa Santos

O artigo original foi publicado em @Open Culture
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