Through The Looking Glass

THROUGH THE LOOKING GLASS, Joalharia de Sara Leme e Carolina Quintela
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13 de Outubro, 2020 0 Por Isabel Pinheiro
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Também o tempo torna tudo relativo.

Este artigo foi inicialmente publicado há mais de 3 anos - o que em 'tempo Internet' é muito. Pode estar desatualizado e pode ter incongruências estéticas. Se for o caso, aceita as nossas desculpas.

THROUGH THE LOOKING GLASS

 

JOALHARIA de SARA LEME e CAROLINA QUINTELA

Tivemos no passado sábado, na Galeria REVERSO, a inauguração da exposição de joalharia “THROUGH THE LOOKING GLASS”, das designers de joias Sara Leme e Carolina Quintela.

Tudo isto seria muito normal, não fosse o facto de nada ali ser normal!

Vejamos, imagine um telemóvel, espelhos, lentes, luz, contra-luz, amores-perfeitos que podem não ser assim tão perfeitos, música “La Vie em Rose”, nada mais romântico, fotografias, negativos da fotografias, tudo misturado.

 

Through The Looking Glass, de Sara Leme e Carolina Quintela

Through The Looking Glass, de Sara Leme e Carolina Quintela

 

Parece-lhe que isto pode ter a ver com jóias ou com amor, daquele mesmo romântico? Pois é, também não estou a ver.

Para já, é evidente que tudo tem a ver com espelhos e como nos vemos e somos vistos através desses espelhos.

Mas, de repente, seria melhor pedir a alguém mais entendido em “relações estranhas” alguma explicação e assim foi; sem dar parte de fraca, começo a “meter conversa” com as próprias das designers Sara Leme e Carolina Quintela e só havia uma pergunta a fazer:

-Sara e Carolina, o que é isto????

Primeiro, nós pessoas “normais” temos de entender que vivemos na era dos telemóveis, do culto da imagem, do nosso outro eu que guarda tudo dentro do telemóvel e por isso mesmo, este pequeno aparelho acaba por ser um reflexo da nossa personalidade.

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Through The Looking Glass, de Sara Leme e Carolina Quintela

É lá que guardamos tudo. O espelho acaba por ser a nossa auto-consciência. Poderemos, portanto, separá-lo em dezenas ou mesmo centenas de pequenas peças que são, no fundo, pequeninos “eus”. Sara desmancha um telemóvel na totalidade e da câmara selfie pode fazer um anel solitário, o próprio espelho do telemóvel passou a ser o nosso espelho diário; já não se usam espelhos na carteira, mas esse espelho pode ser trabalhado e passar a ser usado como um colar lindíssimo. Para Sara Leme existe uma grande dualidade entre o espelho mentor e o espelho enganador e é isso que torna desafiante este trabalho de criação entre a realidade e o nosso eu.

Já Carolina Quintela optou por usar como “espelho” o amor romântico; ou seja, o que nós, como casal, vemos reflectido no outro pode ou não corresponder à realidade.

Quando apaixonados e olhamos para o outro o que vemos pode ser mesmo real ou pode estar a ser visto e sentido com as chamadas “lentes côr-de-rosa” do amor.

E com o outro passa-se o mesmo em relação a nós, somos o espelho daquilo que ele quer ver em nós. São, ao fim e ao cabo, os códigos ocultos e misteriosos da união da dupla como casal.

São as flôres, amores-perfeitos, neste caso, alfinetes de peito, que simbolizam a perfeição na relação ou até a música “La Vie em Rose”, por exemplo, uma das mais usadas entre casais mas que só funciona se a pequena caixa da música fôr accionada e aí a jóia, partitura daquela música, tanto pode ser um colar como uma pregadeira de usar ao peito. Tudo se reflete na dualidade que existe sempre numa relação amorosa e que nos permite ver a imagem verdadeira do outro na fotografia mas a parte “dark” e falsa no negativo dessa mesma fotografia foi apenas uma ilusão na relação.

 

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Through The Looking Glass, de Sara Leme e Carolina Quintela

 

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Through The Looking Glass, de Sara Leme e Carolina Quintela

 

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Sara Leme, Isabel Pinheiro, Carolina Quintela

 

Vale a pena lá passar até final de Outubro e entender as interpretações que deram origem a cada peça.

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Uma exposição muito original e interessante.

 


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Jaime Roriz Advogados Artes & contextos