Sonatas de Beethoven

As 30 sonatas de Beethoven por nível de dificuldade | Música para piano mais desafiante de sempre

29 de outubro, 2020 0 Por Artes & contextos

As sonatas de Beethoven

As sonatas de Beethoven por nível de dificuldade | Música para piano mais desafiante de sempre

 

Durante a sua curta vida, Beethoven dedicou bastante tempo a compor para o instrumento que fez seu: o piano. Mesmo tendo composto nove surpreendentes Sinfonias, sonatas e concertos para violino, quartetos de cordas e peças corais, talvez seja na sua música para piano que nos encontramos, cara a cara, com o espírito majestoso de Beethoven.
Fora os cinco Concertos para Piano, Beethoven compôs um total de trinta e duas Sonatas para Piano. Cada sonata tem virtudes próprias e abunda tanto em desafios quanto em encanto, mas qual será considerada a mais fácil e qual a mais difícil?

Sonatas de Beethoven por nível de Dificuldade

A questão que intitula este artigo apenas levanta mais dúvidas sobre aquilo que pode ser entendido por “dificuldade”. Em todas as trinta e duas sonatas de Beethoven, existem, para além da dificuldade técnica, os mais ambíguos desafios interpretativos. O puramente técnico pode ser, de certo modo, avaliado pela exigência que Beethoven impõe aos pianistas. No entanto, a incumbência de compreender as intenções musicais do compositor, será, provavelmente, para qualquer pianista, a tarefa mais árdua.
Parece ser consensual entre pianistas que as sonatas “mais fáceis” são as que têm por subtítulo “Leichte Sonata” ou, literalmente, sonata leve. Beethoven compôs as Sonatas para Piano 19 e 20 (Op.49; Nºs 1&2 em Sol menor e Sol maior) entre 1795 e 1976 com a intenção de que fossem tocadas por amigos ou músicos e estudantes entusiastas e amadores.

Isto faz parecer que estas sonatas em dois movimentos possam ser facilmente desvalorizadas, mas tal não é o caso. Apesar de serem “leves”, no sentido em que são de curta duração, estas são obras de substância e mérito a muitos níveis. Podem não requerer a exigência das outras sonatas, mas a atenção ao detalhe que demandam faz com que também elas não sejam simples de tocar.

As sonatas que seguem os números 19 e 20 são a Nº25 em Sol (Op.79);

No.9 em Mi (Op.14; No.1);

No.10 em Sol (Op.14; No.2);

No.1 in Fa menor (Op.2; No.1),

and No.5 em Do menor, (Op.10; No1).

Estas estão, para muitos pianistas, mas não sem exceção, em ordem crescente de dificuldade. Cada uma destas finas obras oferece aos pianistas uma empolgante seleção de desafios técnicos e interpretativos. O No.25 tem como alcunha “The Cuckoo” ou, “O Cuco”, e é apenas mais longo que os Nºs.19 e 20.

Ainda assim, não é fácil, nem óbvio tocar esta sonata de forma fluente e com as nuances necessárias. Beethoven dedica a Sonata em Fá menor (No.1) a Haydn. Apesar de a relação entre ambos não ser a mais feliz, Beethoven tinha Haydn em grande consideração, ainda que nunca o tenha admitido publicamente.

A sonata tem vários traços de Haydn que acrescentam humor e eloquência à composição, apesar de se sentir a voz de Beethoven através da música. Esta sonata é um este para qualquer pianista hábil.

Curiosamente, muitos pianistas colocam a “Pathétique Sonata” (No.8; Op.13), nesta fase da lista.

Sendo um dos mais adorados e admirados trabalhos de Beethoven, a “Pathétique Sonata” apresenta um largo conjunto de complexidades que um pianista menos diligente poderia facilmente negligenciar. A próxima sonata, não menos popular, foi posicionada a meio na escala de dificuldade. Trata-se da “Moonlight Sonata” (No.14 em Dó sustenido menor; Op.27; No.2).

Existe, por vezes, a ideia de que o último movimento é o único que evidencia verdadeiramente algum desafio. Esta é, no entanto, uma postura perigosa de se adotar, face a tantas atuações blasés que substituem velocidade por firmeza, clareza e compreensão das intenções do compositor. A sonata em Dó menor representa um avanço por parte de Beethoven, no desenvolvimento formal do conceito de sonata, como o comprova o subtítulo “quasi un fantasia”. Para mim, esta sonata contém algumas das mais líricas composições melódicas de Beethoven, nomeadamente no movimento central, mais lento.

As sonatas Nºs. 7,6,15,3,12 e 18 vêm todas antes da famosa “Moonlight Sonata(Op.27; No.2).

O momento de abertura é aquele que apresenta a maior variedade de desafios técnicos e musicais. Aqui, a harmonia das duas mãos é tão vital quanto a necessidade de manter o discurso delicado da melodia, sem permitir que este seja pela tercina que o acompanha. De igual modo, o movimento central não deve ser menosprezado e, o final, quando abordado num andamento demasiado rápido, pode facilmente transformar-se num disparate desconexo.

Aproximando-nos das mais difíceis das trinta e duas sonatas, encontramos o Nº 26 (“Les Adieux”);

The ‘Waldstein’;

No.21,

e a infame ‘Appassionata’, No. 23.

Cada uma destas monumentais obras exige, em vários momentos da composição, uma habilidade técnica virtuosa. Ainda assim, tal habilidade pode não ser suficiente para produzir uma atuação credível e convincente. Na minha opinião, é crucial possuir um extenso conhecimento de Beethoven para tocar estas últimas Sonatas adequadamente e com a eloquência que merecem.

No final da lista está a Sonata para Piano Nº29; Op. 106 em Si bemol maior. Esta sonata foi apelidada de “Hammerklavier” e é, quase consensualmente, considerada a mais difícil sonata para piano composta por Beethoven.

O que podemos descobrir nesta sonata são quase todas as facetas do estilo Beethoviano. Desde mudanças de tom harmónicas, mas altamente experimentais, a estruturas reinventadas e a prodigiosos movimentos de explosão de emoções acompanhados de uma rica e melancólica composição melódica. É como se Beethoven levasse, tanto o instrumento como o pianista, ao limite daquilo que é física e emocionalmente possível.

Esta é uma formidável sonata que dura cerca de cinquenta minutos. Esta sonata requer substancial resistência física assim como uma considerável capacidade de concentração, se se quiser realizar uma interpretação desta composição. Na altura, muitos consideraram-na intocável, mas Franz Liszt foi o primeiro pianista capaz de a tocar em público. Os quatros movimentos desta sonata são cada um, um mundo por si só. Apesar de Beethoven utilizar a forma tradicional da sonata para o primeiro movimento, o desenvolvimento leva a estrutura da sonata para territórios tão notáveis quanto imprevisíveis.

O segundo movimento “Scherzo: Assai Vivace”, acalma os ânimos por um breve momento, antes do movimento central, mais lento.

Não é possível aprender, ou sequer ouvir, este movimento senão através da compreensão da dor que exprime. Este movimento parece ansiar pelas obras de Chopin e de Liszt, mas estar envolto na tristeza que assombrou a vida de Beethoven. Para o final, Beethoven remove todos os pontos e compõe uma das mais difíceis peças para piano alguma vez compostas, que inclui uma fuga; uma obra-prima da composição contrapontista.

 

Este artigo foi traduzido do original em inglês por Constança Costa Santos

O artigo original foi publicado em @CMUSE – Classical
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