Echoes David Gilmour and Richar Wright - Artes & contextos

A última e transcendente performance de “Echoes” de Richard Wright e David Gilmour

21 de agosto, 2020 0 Por Artes & contextos
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Echoes por Richard Wright e David Gilmour

“Suave, despretensioso e privado.” Estas são as palavras que David Gilmour escolheu no seu elogio a Richard Wright, teclista e co-compositor dos Pink Floyd, que se juntou à banda em 1964 e ficou com ela através de todos os seus melhores albúns, saindo após o The Wall e voltando para o A Momentary Lapse of Reason. Wright era o mais sossegado; o baterista Nick Mason comparou-o a George Harrison e, tal como Harrison, ele era também a arma secreta dos Pink Floyd, ajudando a produzir muitas das canções que mais definem a carreira da banda.

Wright pode ser muito raramente mencionado nas homenagens aos líderes guerreiros dos Pink Floyd ou ao seu trágico primeiro cantor/compositor, Syd Barrett (“se o seu perfil tivesse sido mais baixo”, disse num elogio, “ele teria sido dado como desaparecido”), mas a sua “voz com alma e a sua interpretação eram componentes vitais e mágicos do som mais reconhecido dos Pink Floyd”, prosseguiu Gilmour. “Do meu ponto de vista, todos os grandes momentos de Pink Floyd são aqueles em que ele está a fluir plenamente.”

O treino de jazz de Wright deu-lhe algum pendor para o improviso. A sua educação musical formal deu-lhe ouvido para a composição. Ele era o músico mais versátil da banda, tocando dezenas de instrumentos, em adição ao seu órgão Farfisa. Ele também ficava em casa a escrever peças de orquestra ou a mergulhar em qualquer som que a banda fizesse, como no seu sexto álbum de estúdio, Meddle, que emergiu de várias fases de métodos experimentais e acidentes felizes como o som “ping” que o piano de Wright faz no início do épico “Echoes», o segundo lado do albúm, de 23 minutos.
Última performance de Echoes com David Gilmour e Richar Wright no Gdańsk Shipyard na Poland

Última performance de Echoes com David Gilmour e Richard Wright no Gdańsk Shipyard na Polónia

A música continuou a crescer a grande escala. Waters escreveu a letra, Gilmour experimentou um efeito sonoro no qual tropeçou ao ligar o seu pedal wah-wah para trás. Se perguntar a Wright, como Mojo fez na sua entrevista final com ele em 2008, o ano da sua morte, a peça era maioritariamente sua. Ou pelo menos, “toda a parte do piano, no início, e a estrutura de acordes da música é minha.”
Tal como muitas composições de Wright, “Echoes” é também uma montra para os solos crescentes de Gilmour e a sua delicada execução de ritmos. A interacção entre os dois músicos é evidente na transcendente apresentação final da música de Wright, ao vivo em 2006, antes de sucumbir ao cancro dois anos mais tarde, perante uma audiência de 50.000 pessoas no Gdańsk Shipyard na Polónia, gravado no último espectáculo da digressão On an Island, de Gilmour.
Isto é muito bom.

A última e transcendente performance de "Echoes" de Richard Wright e David Gilmour Artes & contextos Echoes David Gilmour and Richar Wright FI Artes

Última performance de Echoes com David Gilmour e Richard Wright no Gdańsk Shipyard na Polónia

A gravação da atuação, que aparece no albúm e filme do concerto Live in Gdańsk de Gilmour, mostra tanto Wright como Gilmour na sua melhor forma, intercalando solos e criando o tipo de atmosfera que só estes dois poderiam criar. Gilmour disse que nunca irá tocar a música novamente sem Wright. É difícil de imaginar que ele pudesse sequer.
A banda fechava os concertos com 20 minutos extra de “Echoes” todas as noites da digressão, e Wright levava o seu Farfisa propositadamente para tocar este tema.

Dado o tempo que Gilmour e Wright tinham vindo a completar os pontos fortes virtuosos um do outro como co-criadores de estados de espírito instrumentais, cada actuação na digressão foi certamente algo de especial. Mas, em retrospectiva, nenhum é tão comovente como este – a última vez que os fãs teriam a experiência de ver Pink Floyd, ou uma versão deles, recriar a magia de “Echoes” ao vivo no palco.

 

Este artigo foi traduzido do original em inglês por Carolina Rocha

O artigo original foi publicado em @Open Culture
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