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A Intensidade de Jeanne Susplugas

18 de junho, 2020 0 Por Artes & contextos
Modo Noturno

Jeanne Susplugas

 

Jeanne é um nome que se refere, na esfera cultural francesa, à lutadora virgem, à pura, à louca, à inimiga dos ingleses. Uma heroína reapropriada por excelência, Jeanne é a que, com o corpo queimado e a boca selada, é obrigada a dizer. A enormidade do seu martírio é tal que impõe um respeito, um arrepio na coluna vertebral.

Aqueles que falam por ela não podem ser contrariados, que façam dela uma santa leiga, símbolo de um nacionalismo orgulhoso e combativo, do regime de Vichy, dos Gaullistas, uma pobre camponesa queimada pela Igreja, uma feminista. Não podem ser contrariados porque, falando, fazendo de Jeanne o que eles decidem, confiam neste seu sofrimento, vivido por ela, de que se apropriam enquanto as próprias cinzas desaparecem. Etimologicamente, o nome Jeanne refere-se ao Yehohanan hebraico, que significa “Deus perdoa”.

Por isso, de Jeanne, esperamos muito. E se a introdução pelo primeiro nome, dado que cada indivíduo é imposto à nascença e será sempre um “o que me vem de fora e que devo apropriar”, aplica-se ao caso de Jeanne Susplugas. Caso contrário, ter-me-ia sido impossível chegar à fórmula do “artesanato clássico” que me vem sistematicamente à cabeça quando penso nela, o que é uma contradição, e que pode ser explicada pela sua aura, pela sua formação académica, pela sua dimensão, pela nitidez das imagens que produz, pela sua densidade.

Por tudo isso, e para esgotar a carga da fórmula, a “factura clássica” também diz respeito à Jeanne tal como a vimos, uma redução: qualificamos como uma ” factura clássica” entidades que pensamos serem o resultado de um código cultural fácil de compreender, de resumir, de reutilizar. O trabalho de Jeanne Susplugas deve ser abordado desta forma, aproveitando um tipo de facilidade de acesso. Eu sei, eu compreendo, eu li: casa, máscara, comprimidos, luzes de néon, palavras, mulher, natureza morta, cerâmica, fotografia, drive-thru, Estados Unidos, Paris mas/e é noutro lugar que tudo se passa. Um outro lugar cujo acesso nos é precisamente possibilitado pelo que veio mesmo antes. Uma natureza morta, por exemplo, que é contada em pormenor.

Faz-me lembrar aquela citação que li no Método Schopenhauer de Irvin Yalom: “Quando acordamos a meio da noite desencorajados, os inimigos que tínhamos derrotado há muito tempo voltam para nos assombrar. “Esta citação é vulgarmente atribuída a Nietzsche, mas eu nunca consegui confirmar a fonte, a original.

 

Jeanne Susplugas

Jeanne Susplugas, Nature morte, 2015-2017, cerâmica © Jeanne Susplugas

 

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There’s no place like home, vídeo, 2012, atriz Manesca de Ternay, vendo a exposição All the world’s a stage, Centre d’art Le LAIT, Albi, foto Phoebé Meyer © Jeanne Susplugas

 

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Jeanne Susplugas, Disco ball (Ether), 2019, Polystyrène, espelhos, Produção : ZAT 2019-100 artistas na cidade, Dimensões da caixa 2870 x 1270 x H1420 mm © Jeanne Susplugas

 

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Jeanne Susplugas, Flying house (P.), 2017, 42x30cm, tinta sobre papel © Jeanne Susplugas

 

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Jeanne Susplugas, Flying house, 2017, Dimensões da casa: 230x265x230cm, Media mista, Ver: At home she’s a tourist, La Maréchalerie – centre d’art contemporain de l’ENSA-V, Versailles, 2017 © Eduardo Serafim

 

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Jeanne Susplugas – Hair (Tribute to Gordon Matta-Clark), 2010-2018 © Jeanne Susplugas

 

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Jeanne Susplugas, Mask, 2008, 50x60cm, c-print, Esta imagem é regularmente utilizada como “prefácio” às exposições da artista.© Jeanne Susplugas

 

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Jeanne Susplugas, Light house III, 2009, 170x160cm, estrutura em alumínio & Led © Jeanne Susplugas

 

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Jeanne Susuplugas, L’aspirine c’est le champagne du matin, 2009, 0,5x12m, estrutura em alumínio & Led © Jeanne Susplugas

 

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Jeanne Susplugas, Nature morte (détail), 2015-2017, cerâmica © Jeanne Susplugas

 

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Jeanne Susplugas, Boîte de déception, 2005, 26x126x7cm, Caixa de luz © Jeanne Susplugas

 

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Jeanne Susplugas, Disco Ball, 2017, Madeira & espelhos © Jeanne Susplugas

 

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Jeanne Susplugas, Addicted (Gisèle), 2003, C-print © Jeanne Susplugas

 

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Jeanne Susplugas, In my brain (M.), 2018, 50x65cm, Tinta sobre papel © Jeanne Susplugas

 

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Jeanne Susplugas, Drive Thru Pharmacy II, 2008, 60x50cm, Poster © Jeanne Susplugas

 

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Jeanne Susplugas, Forêt généalogique, 2020, wall painting, Ver: Galerie Mansart, Paris, mars 2020, Exposição : Déraison du quotidien (curated by Camille Frasca & Antoine Py) du 12.03.2020 – 26.04.2020

 

O artigo original e completo foi publicado @Boumbang
The original and full article was published @Boumbang

Este artigo foi traduzido do original em francês por Redação Artes & contextos


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