O Instrumento com o Tom Mais Baixo da Orquestra Artes & contextos the lowest sounding instrument in the orchestra

O Instrumento com o Tom Mais Baixo da Orquestra

22 de maio, 2020 0 Por Artes & contextos
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Nas orquestras de hoje em dia, é perfeitamente normal que haja mais de cem músicos. Estes músicos são geralmente agrupados em “famílias” de instrumentos que, em circunstâncias normais, se dispõem sentados em grupos. (Digo circunstâncias normais), já que alguns compositores contemporâneos utilizam uma organização não-convencional dos lugares. As famílias orquestrais são as seguintes: cordas, metais, sopros e percussão. Abaixo, o diagrama ilustra bem como estes agrupamentos se organizam num contexto prático.

Composição base de uma Orquestra (Infograma publicado em URL: http://gdantas.blogspot.com/2011/08/disposicao-de-musicos-na-orquestra.html

Composição base de uma Orquestra (Infograma publicado por Gabriel Dantas em http://gdantas.blogspot.com/)

 

Cada uma das famílias orquestrais tem as suas subdivisões. A família das cordas, por exemplo, inclui violinos, (primeiro e segundo), violas, violoncelos e contrabaixos.

No grupo da família dos sopros, encontram-se os piccolos (flautas transversais) , flautas, clarinetes, oboés, e fagotes.

O conjunto dos metais inclui habituamente trompetes, trombones, trompas e tuba.

A família de percussão contém uma variedade cada vez mais desconcertante de instrumentos que inclui timbales, pratos, sinos tubulares, vibrafone, tam-tams e bombo.

Outros instrumentos que devem ser mencionados são o piano orquestral e a harpa.

O Instrumento com o Tom Mais Baixo da Orquestra

Quais são então os instrumentos mais “graves” da orquestra? Uma forma fácil de reconhecer um instrumento que toca baixos, é a sua dimensão. Quanto mais volumoso é um instrumento, mais graves são os tons que produz. Se começarmos pela secção de cordas, o instrumento que toca os tons mais profundos e sombrios é o contrabaixo ou double bass.

Pode ter quatro ou cinco cordas, normalmente afinadas nas notas Dó, Mi, Lá, Ré, Sol. A quinta corda ou quarta corda estendida permite que o contrabaixo desça uma terceira abaixo do que seria normal, acrescentando um humor ainda mais ameaçador a muitas composições do século XX.

Para um bom exemplo de como este instrumento soa, considere ouvir o “The Elephant” do “Carnaval dos Animais” de Saint-Säens.

Se o alcance do contrabaixo não for suficiente para os seus ouvidos ou mesmo para a sua composição, pode querer considerar a utilização do “Octobaixo”. Este gigantesco instrumento, tem quase 3,5 metros de altura e representa um desafio para contrabaixista mais experiente.

Tem apenas três cordas e um braço (fretboard) para ajudar a tocar as pitching notes (N. da R. – as notas extremas, no caso do baixo, as notas mais baixas). Requer ainda que o intérprete utilize uma série de alavancas e pedais para o operar ao lado de um grande arco. TOs primeiros relatos desta raridade remontam a cerca de 1850, em Paris, do fabricante Jean-Baptiste Vuillaume. O seu alcance é uma oitava abaixo do contrabaixo orquestral clássico, mas também não é um instrumento de cordas vulgarmente utilizado.

A trompa pode tocar as chamadas notas de “pedal”, que podem chegar a um “Mi” abaixo da clave de Fá.

A trompa não é o mais baixo dos instrumentos de sopro, e, embora o trombone baixo possa produzir algumas notas impressionantemente baixas, o prémio para as notas mais baixas da família dos metais vai para a Tuba.

Hoje em dia, podem encontrar-se muitos tipos de tuba nas orquestras, mas a que pode atingir os tons mais baixos é a tuba contrabaixo em Si bemol. Para colocar este instrumento no contexto, é suposto poder tocar o Lá Bemol um semitom mais baixo do que a nota mais baixa do piano.

Alguns músicos afirmam também que conseguem tocar uma oitava abaixo da nota mais baixa do piano ou a nota equivalenteao tubo 32′ ‘Dó’ num órgão.

Existem várias extensões a este instrumento, já de si muito grave, chamado “tuba sub-baixo”. Este instrumento leva o alcance da tuba contrabaixo mais uma oitava abaixo nas subfrequências muito utilizadas na música de dança electrónica. Um dos primeiros exemplos deste instrumento é atribuído ao inventor do saxofone, Adolf Sax (1814-1894).

As orquestras e compositores têm hoje uma maior variedade de opções que incluem clarinetes baixo e contrabaixo e contrafagote ou fagote duplo. O clarinete baixo, enriquece a secçãi de sopro, tocando até um Si Bemol, duas oitavas abaixo de Dó. O clarinete contrabaixo desce uma oitava, adicionando um timbre negro e amadeirado à paisagem sonora da orquestra. É o contrafagote que suporta os tons mais baixos da família dos sopros.

O contrafagote parece semelhante ao fagote normal, mas o “tubo” dobra-se sobre si mesmo para dar uma extensão ainda mais longa ao instrumento. Tal como o fagote, é um instrumento de duas palhetas, mas as palhetas são maiores e mais grossas, produzindo um tom que quase soa no registo mais baixo.

O contrafagote pode atingir o Si bemol no extremo da amplitude do piano, combinando o contrabaixo e a tuba. Existe a opção de alargar a gama até um semitom, até um ” Lá”. O contrafagote data de meados do século XVIII e pode ser ouvido em obras barrocas como  ‘Music for the Royal Fireworks’ de GF Handel.

A construção e o trabalho das teclas do contrafagote permaneceram em grande parte inalterados desde o projecto do século XIX da Heckel, que compreende um conjunto complicado de orifícios e teclas que, a olho nu, parecem impenetráveis.

Embora não seja um membro preponderante da orquestra, o órgão de tubos figura em muitas composições dos séculos XX e XXI no ambiente orquestral. Estas incluem obras tais como a  ‘Terceira Sinfonia’ de Saint-Saëns.

‘Requiem’ de Fauré;

‘Assim Falou Zarathustra’ de Richard Strauss;

e a imensa ‘Oitava Sinfonia’ de Mahler

Esta é uma pequena seleção do leque de obras do atual reportório orquestral e digno de menção.

As origens do órgão de tubos remontam a muitos séculos, mas essencialmente a sua construção manteve-se inalterada durante muito tempo. O mais importante é o alcance deste “rei” dos instrumentos.

São os “pedais” de um órgão que produzem os tons mais graves da orquestra. O maior tubo do órgão do Royal Albert Hall, em Londres, tem uma extensão espantosa de 12 metros. Estes tubos gigantescos produzem notas tão baixas como 16,4 Hz, quase para além da capacidade auditiva do ser humano, o que faz dele o instrumento adicional mais baixo da orquestra.

O artigo original foi publicado em @CMUSE – Classical
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Este artigo foi traduzido do original em inglês por Redação Artes & contextos


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