The Art of Hand-Drawn Japanese Anime

O Anime Desenhado à Mão: Um Estudo de como Akira de Katsuhiro Otomo Usa a Luz

20 de outubro, 2017 0 Por Artes & contextos

O Anime Desenhado à Mão

A animação antes dos tempos da moderna tecnologia de computação gráfica pode impressionar hoje em dia pela simples razão de que não tinha à sua disposição nenhuma tecnologia CGI. Mas se pensarmos nisso – e observarmos as obras-primas animadas daqueles dias – aperceber-nos-emos de que muito disso deveria impressionar-nos muito mais do que impressiona.
Tomemos, por exemplo, a visão ciberpunk Akira  de Katsuhiro Otomo de 1988, um dos filmes de animação japoneses mais admirados de todos os tempos e o tema do ensaio de vídeo de Nerdwriter abaixo, “How to Animate Light”.

 

Akira, diz Nerdwriter Evan Puschak, “é bem conhecido pela sua animação meticulosa. Cada fotograma do filme foi composto com a mais íntima atenção aos detalhes, e isso dá-lhe uma riqueza e alma inigualáveis”

Mas ele aponta para uma qualidade da produção em particular: “Vejo as muitas luzes do filme, as suas diferentes qualidades e texturas, como um poderoso motivo e símbolo, além de um elemento vital da sua genialidade”.

Mas os animadores, especialmente os animadores que utilizam as tradicionais celas pintadas à mão, não podem simplesmente dizer aos seus realizadores de fotografia para montarem de certa forma a iluminação de uma cena; eles têm de processar à mão todos os diferentes tipos de luz do mundo que criam, criando manualmente o seu jogo em cada rosto, cada objeto, em cada superfície.

“As linhas entre a sombra e a luz são distintas e evocativas da mesma forma que é a iluminação do “film noir“, elabora Puschak, “e como no film noir, a luz em Akira está intimamente ligada à cidade à noite”.

 

Neo-Tokyo de 2019, elaborado por Otomo Anime de

Neo-Tokyo de 2019, Katsuhiro Otomo

 

No distópico Neo-Tokyo de 2019, elaborado por Otomo e os seus colegas, “a autoridade é tanto uma luz ofuscante como uma arma ou um distintivo” e o néon “é a luz amarga mas bela que significa tanto o brilho colorido como o consumismo espalhafatoso da modernidade”.

E depois temos Tetsuo, “ao mesmo tempo protagonista e antagonista do filme, um rapaz que ganha um poder psíquico extraordinário” que “tantas vezes produz uma perturbação na luz à sua volta”. Quando termina, vem sob a forma de “uma bola de luz gigante, uma única luz branca uniforme que apaga as inúmeras luzes artificiais da cidade”, e Akira faz-nos acreditar nisso. Poderia mesmo o mais avançado, e extraordinariamente grande, orçamento da era CGI fazer o mesmo”?

Este artigo foi traduzido do original em inglêspor Redação Artes & contextos

Jaime Roriz Advogados Artes & contextos

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