A Idade das Sombras

A Idade das Sombras

9 de março, 2017 0 Por Rui Freitas
Modo Noturno

No regresso ao cinema coreano, depois de uma breve passagem por Hollywood Kim Jee-woon traz-nos A Idade das Sombras, um filme que tem por base uma época particular da História do seu país, apresentado fora de competição no 73º festival de Veneza, escolhido para representar o país como candidato a melhor filme estrangeiro para os Óscares em 2016 e filme de abertura do Fantasporto 2017.

Baseado em factos históricos e em personagens reais, A Idade das Sombras, passado em 1923, numa Coreia ocupada e subjugada pelo Japão, retrata a tentativa da resistência de destruição de parte da força policial de Seul reunida numa cerimónia.

Kim Sang Ho (Hee-soon Park) um dos lideres da resistência tenta vender a um recetador nacionalista, uma estatueta valiosa para financiar a causa, mas durante uma intrigante conversa apercebe-se que foi traído.

A Idade das Sombras

Kang-ho Song como Lee Jung-Chool

Cercado por uma gigantesca força policial comandada pelo capitão Lee Jung-chool (Song Kang-ho), Kim consegue esgueirar-se pelas traseiras dando-se início a uma implacável perseguição sob uma Lua brilhante, pelas ruas, becos e telhados do bairro.  São cenas rápidas e intensas, com belos movimentos de camara e com fotografia e montagem quase vintage a augurar 140 minutos de filme a um bom ritmo e digno do epíteto de thriller.

Kim, finalmente encurralado e perante o capitão suicida-se e este demonstra sofrer com esta morte mais do que o esperado para um homem na sua posição, mesmo considerando que era amigo de escola do rebelde.

Ele que já fizera parte da resistência, e traíra o seu povo aliando-se à força policial japonesa, mostra-se um homem emocionalmente ambíguo, e o líder da resistência Che-san (Byung-hun Lee) acredita que pode fazê-lo redimir-se da sua opção, e trazê-lo de volta para a sua causa.

Ao mesmo tempo que a resistência se entrega à tentativa de identificação do traidor, a polícia centra-se na estatueta recuperada para tentar chegar à resistência e Lee visita um negociante de antiguidades para tentar descobrir-lhe o rasto.

A resistência tem sede numa loja de antiguidades da cidade e a partir daí organiza um esquema de contrabando de explosivos de Xangai para Seul para levar a cabo o planeado ataque ao invasor.

A volatilidade do caráter do capitão e da sua insegurança entre manter-se fiel ao conforto que abraçara ao juntar-se à força japonesa e o apelo da nacionalidade do seu povo e da independência do seu país transparecem para o seu superior Higashi (Shingo Tsurumi) que lhe atribui como parceiro o sádico e frio Hashimoto (Um Tae-goo) que pouco mais faz do que vigiá-lo e controlar secretamente todas as suas ações.

O ponto alto da ação, dá-se numa sequência de quase 30 minutos, num comboio fumarento e sombrio, em andamento para Seul, onde se encontram todas as personagens. Com fugas, perseguições e tiroteios, atravessando as carruagens de madeira e veludo, num crescendo de intensidade; com os objetivos e perspetivas das personagens a ser constantemente alterados pelo rumo dos acontecimentos e onde finalmente se descobre o traidor, o capitão terá que escolher o seu lado.

A Idade das Sombras

Tae-goo Eom

Kim Jee-woon tem apetências sádicas, que o diga quem assistiu a I Saw the Devil e também aqui, temos uma dose de cenas gráficas, como as da tortura, ou do envio pela polícia aos rebeldes de um dedo do pé arrancado.

Estas cenas, no entanto, não nos aparecem como violência gratuita ou despropositada e, embora tratadas com cuidado para não ferir a sensibilidade do público mais suscetível, não deixam de ter aquele grau que Kim não dispensa, nem que seja para mostrar à Warner Bros, que finalmente apostou nele, que o filme é seu.

A Idade das Sombras é um filme interessante, um intenso jogo do gato e do rato, e que, como história de espiões que se digne, conta entre as personagens, bem construídas, e para além do instável capitão e de um polícia japonês pragmático e sádico, com uma inevitável femme fatale, a bela Yeon Gye-soon (Han Ji-min). Há ainda entre os resistentes, um anarquista húngaro Ludvik (Foster Burden), especialista em exlposivos e um carismático braço direito do líder, Kim Woo-jin (Gong Yoo).

Esteticamente muito bom.

 

Estreia dia 16 de março

 

Veja aqui A Idade das Sombras no IMDB

 

 

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