Jazz - Miles Davis

Jazz: Origens e Influências (Parte II)

21 de junho, 2016 0 Por Bruno Freitas
Modo Noturno

Do Swing ao Cool Jazz

Entre 1920 e 1933 esteve em vigor, nos E.U.A., a chamada Lei Seca que proibia a produção, venda e consumo de bebidas alcoólicas em todos os bares do país. Posto isto, os bares tiveram a necessidade de encontrar outras formas de rentabilizar o negócio, uma das quais foi a realização de espetáculos de música ao vivo, que em plena Jazz Age, eram maioritariamente de Jazz. Estes espetáculos tornaram-se essenciais para os bares subsistirem e abriu, por consequência, muitas oportunidades para os músicos tocarem em todas as cidades.

Nos anos de 1899, 1901 e 1909 nasceram respetivamente, Edward “Duke” Kennedy Ellington, Louis Armstrong e Benny Goodman, os três viriam a ser os maiores músicos de Jazz da sua era.

Duke Ellington nasceu em Washington D.C. e foi considerado por muitos críticos, o maior compositor de Jazz dos E.U.A. Em 1926 juntou-se ao Cotton Club que era o club mais popular de N.I. e foi nos anos que lá tocou que a sua carreira deu um salto maior. Em 1927, a CBS fez uma transmissão ao vivo de um concerto de Duke Ellington no Cotton Club.

 

 

Essa transmissão foi emitida a nível nacional na rádio e foi a partir desse momento que Duke Ellington ficou conhecido nos “quatro cantos” dos E.U.A.

Louis Armstrong nasceu em Nova Orleães e é o músico de Jazz mais admirado de sempre, pela sua genialidade e técnica. Quem o ouvia tocar dizia que ele tinha o “dom” natural para o trompete, admirável por ser considerado um instrumento muito difícil de dominar, o que ele fazia com superior mestria. Em 1925, Armstrong era já o músico de Jazz mais conhecido do mundo. Nesta altura decidiu ir para Chicago e foi lá durante a gravação da música “Heebie Jeebies” que pela primeira vez, o músico cantou, usando a sua voz como uma extensão do trompete.

 

 

Criou assim uma nova técnica no Jazz, a que se viria a chamar “scat singing”, que consiste em improvisar com a voz, através de vocábulos e silabas sem significado, mas que melodicamente combinam. Esta técnica permite solar com a voz.

Entre 1925 e 1928, Louis Armstrong, gravou 65 peças musicais a solo, pelas quais nunca recebeu direitos de autor. Mas estas 65 peças viriam a provar-se fundamentais para todos os músicos de Jazz e muito importantes na história da música. As 65 peças ficam conhecidas como “Hot fives & Hot sevens”.

 

 

 

 

A importância destas peças é: em primeiro lugar, o facto de serem consideradas as peças em que Armstrong “define” o Jazz, como forma de arte, como um estilo musical que consiste no solo e no improviso, e não na orquestração da música e na composição escrita; em segundo lugar é onde Louis Armstrong, “afirma” definitivamente que a base do Jazz há de sempre consistir em melodias inspiradas pelo Blues; em terceiro lugar, são a prova de que Armstrong criou a maior inovação melódica do séc. XX, à qual chamamos “Swing”; e por último todas as peças são intemporais e transversais a todas as pessoas, de tal forma que, ainda hoje são tocadas e estudadas pelos músicos de todo o mundo, o que faz delas “clássicos”. É ainda de destacar que todas a 65 peças foram improvisadas, nenhuma delas foi escrita.

Benny Goodman nasceu em Chicago e é considerado o “Rei do Swing”, devido à sua mestria a tocar clarinete, que começou a tocar aos 10 anos de idade. Aos 16 anos, em 1925, Goodman foi convidado para tocar numa das mais importantes bandas da época, a Ben Pollock Orchestra, onde esteve até 1929.

 

 

A partir desse ano Benny Goodman começou a sua carreira a solo, pela qual todo o mundo o conhece, no inicio como Benny Goodman’s Boys.

 

 

Na década de 1930 começa no Jazz, a era do Swing Jazz, que consistia num realce mais acentuado no solista, dando mais destaque aos instrumentistas que solavam do que aos próprios cantores, ao ponto destes, serem mais famosos que os primeiros.

 

 

Alguns dos músicos que mais se destacaram nesta época, são instrumentistas exímios que ainda hoje encantam os ouvidos, entre os quais, Duke Ellington, Benny Goodman, Glenn Miller, Artie Shaw, Earl Hines, Fletcher Henderson, Count Basie, Cab Calloway, Jimmy Dorsey, Tommy Dorsie e Teddy Wilson.

No início da década de 1940 surge o Bebop no Jazz, este estilo é apresentado por artistas novos, entre os quais, Charlie Parker, Dizzy Gillespie, Thelonious Monk e Charlie Christian.

 

 

O Bebop é um estilo que representa a passagem do jazz de “dança”, mais comercial, para o jazz “dos músicos”, mais técnico, menos comercial, no entanto mais “desafiante” e “estimulante” para os músicos. Este estilo é também caracterizado por ter uma componente muito maior de instrumentos de cordas, em comparação com os anteriores, e por ser também mais vulgar os solistas serem guitarristas.

Na década de 1950, a procura do “desafio” que o Bebop introduziu, desvaneceu e foi contrariada com a tendência de fazer melodias calmas e suaves, surgindo o Cool Jazz.

 

 

 

Este estilo caracteriza-se precisamente pelo contrário do Bebop, ou seja, é composto por melodias calmas, tranquilas, pacíficas e com compassos lentos. Alguns dos artistas mais conhecidos que surgem com o Cool Jazz, são por exemplo, Stan Getz, Dave Brubeck, Miles Davis, Chet Baker, Gil Evans e Bill Evans.

Daqui para diante entra-se numa evolução que se abre em diversos braços, culminando nas diversas fusões com quase todos os outros géneros musicais.

Por isso e com um século contado neste ano, desde a 1ª gravação de um tema Jazz, podemos com segurança afirmar que este género, avô do Hiphop; pai do R&B, do Funk e do Disco; irmão do Blues e tio do Soul e do Rock and Roll, é provavelmente o mais transversal de toda a história da música.

 

Leia aqui a primeira parte deste artigo: Jazz: Origens e Influências (Parte I)


 

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