1ª Edição do Fólio

Música na 1ª Edição do Fólio

28 de outubro, 2015 0 Por Rui Manuel Sousa
Modo Noturno

Criatura + Grupo Coral e Etnográfico da Casa do Povo de Serpa.

As palavras e a música caminham há vários séculos de mãos dadas e ao longo desta relação de sucesso muitos hinos e histórias se “cantaram”, por isso não é de espantar que a 1ª edição do Festival Literário Internacional de Óbidos (Folio), tenha reservado espaço para vários eventos de caráter musical, sendo um deles o espectáculo conjunto do projecto Criatura com o Grupo Coral e Etnográfico da Casa do Povo de Serpa.

Esta união deve-se ao facto do Grupo Coral e este grupo de 11 jovens músicos partilharem o espaço cultural da cidade de Serpa. É no seio da Musibéria, centro de criação, investigação e difusão da diáspora da cultura ibérica sediado em Serpa, que nasce o projeto Criatura pela mão do seu mentor Edgar Valente. Partilhando o mesmo espaço físico e social, cria-se a oportunidade única para ouvir e descobrir a fusão do experimentalismo da Criatura com a tradição do Cante e a certeza de que a comunidade de Serpa está viva e participativa.

Alentejo Alentejo

A Criatura começou sozinha em palco com um “soundstorming” global, partindo de todos os seus 11 elementos, assumindo desde logo o seu lado experimentalista e caótico, de seguida deixou a soar uma flauta de bambu sozinha, evocando o seu lado mais sereno e tradicionalista. Seguiram-se os primeiros temas interpretados com muita entrega, caráter progressista, com arranjos vocais muito bem conseguidos, dos quais saíam palavras com propósito tais como as de um slogan muito popular nos anos 70 e que continua muito actual:

 “Tanta gente sem casa, tanta casa sem gente”

Quando tocaram “Aurora”, tema que dá nome ao 1º trabalho discográfico e que estará pronto para breve, fizeram-no em grande, juntando em palco os onze elementos da Criatura e os dezanove elementos do Grupo!

Seguiu-se um momento solene com o Grupo Coral e Etnográfico da Casa do Povo de Serpa a cantar “Alentejo, Alentejo”, o tema que se ouve no documentário de Sérgio Tréfaut e que foi escolhido para ser cantado em Paris no dia em que foi anunciada a atribuição do título de património cultural imaterial da humanidade ao cante alentejano, 2 minutos e 55 segundos de pura magia.

“Eu sou devedor à Terra
A Terra me ‘stá devendo
A Terra paga-m’em vida
Eu pago à Terra em morrendo”

A criatura voltou a palco e nas canções que se seguiram falaram sempre das criaturas que somos, todos nós, cada uma com a sua consciência, cada uma com as suas razões. Fizeram desfilar em palco mais de 20 instrumentos diferentes, desde guitarras portuguesas a gaitas de fole ou sintetizadores e guitarras eléctricas, houve também muita percussão, muitos bombos em palco e a festa terminou assim á “Zé Pereira” com o slogan:

– Bate o pé amigo, bate o pé que eu bato contigo.

Membros da Criatura:

Edgar Valente | voz, piano/teclados e percussões tradicionais |
Paulo Lourenco | baixo eléctrico |
João Aguiar | guitarra eléctrica |
Fabio Cantinho | bateria e electronica |
Tiago Vicente | percussões tradicionais portuguesas e do resto do mundo |
Eloísa d’ Ascensão | voz e percussões tradicionais |
Gil Dionísio | voz, violino e experimentalismos |
Yaw Tembe ~ trompete e instrumentos construídos pelo próprio |
Ricardo Coelho | gaitas-de-foles, flautas tradicionais e transversal, ocarina e percussões tradicionais |
Acácio Barbosa | guitarra portuguesa, guitarra campaniça, acordeão |
Alexandre Bernardo | guitarra acústica, cavaquinho e bandolim |

Estudo para um documentário sobre o Cante Alentejano. Realização de Sérgio Tréfaut. Serpa 2012

* Centro de criação, investigação e difusão da diáspora da cultura ibérica.


Rui Manuel Sousa
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