O Labirinto das Mentiras

Labirinto de Mentiras

13 de abril, 2015 0 Por Rui Freitas
Modo Noturno

Labirinto de Mentiras serve antes de mais o propósito de não nos permitir esquecer o que foram os horrores cometidos nos campos da morte nazis. À sombra dos bombardeamentos e das batalhas aéreas, marítimas e terrestres, da destruição de cidades e da chacina de populações, desenvolvia-se um crime monstruoso metódico e organizado em diversos palcos dos quais Aushwitz, na Polónia ficará como símbolo maldito.O Labirinto das Mentiras IIO realizador Giulio Ricciarelli explora a vergonha de uma geração que se alastraria à vergonha de um povo que tenta esconjurar os seus fantasmas, levando a que as gerações alemãs seguintes tenham tentado passar ao lado, salvaguardados pela culpa calada.

O filme conta-nos em forma de thriller a história fictícia de um jovem procurador Johann Radman (Alexader Fehling) que confrontado por um jornalista com a realidade ocultada e motivado também pela sua própria ignorância, assume a direção de uma grandiosa investigação, que deu origem ao que ficou conhecido como Julgamento de Aushwitz, iniciado na Alemanha em dezembro de 1963. Através dos réus (22 guardas prisionais), das 211 testemunhas e até dos que se recusam a aceitar e a falar, conhecemos alguns pormenores da cruel insanidade de um regime obrigando-nos a passear pela memória do crime a que, pela sua trágica dimensão, ficaria conhecido como Holocausto (que etimologicamente aponta para o hebraico com o significado de catástrofe).

O realizador põe em jogo o conflito moral entre a culpa e a responsabilidade, e mostra-nos a luta do protagonista contra os silêncios (o “labirinto de silêncio”, a verdadeira tradução do nome original) que tentam estender o manto do esquecimento como uma barreira contra a verdade e contra a História que parece alastrar-se a toda a sociedade. Faz-nos perceber a quantidade de pessoas das gerações seguintes que ignora o que realmente aconteceu. Confronta-nos com a questão inultrapassável do limite responsabilidade dos idealizaram e ordenaram, ou dos que foram meras peças na engrenagem, se os há, aqueles que apenas cumpriram ordens, e ainda aquela responsabilidade de quem permitiu inerte que tudo acontecesse – os pais daquela geração dos anos 60 na Alemanha (e não só) que se queria poupar a remorsos.


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