Funk

Funk I – Patronos

19 de março, 2015 0 Por Bruno Freitas
Modo Noturno

Funk: Nascimento de uma Groove Universal

O Funk é género musical que surgiu nos anos 60 do século XX, pela mão de músicos americanos, na sua maioria afro-americanos, que começaram por misturar Soul, com R&B e Jazz dando origem a um conjunto de melodia e ritmo completamente novos, com melodias alucinantes e ritmos fortes e eletrizantes. Normalmente o órgão eletrónico e a guitarra dão-nos as harmonias e melodias alegres características do género, enquanto o baixo elétrico e a bateria se encarregam do groove e do ritmo inquietantes e dançáveis, e que não deixa ninguém indiferente. Na década de 70, o Rock acrescentou uma nova influência ao género, que se verificou com uma presença mais viva e ritmada da guitarra, por vezes na uma vertente solo.

A palavra funk surgiu inicialmente no inglês medieval com algumas diferenças ortográficas relativamente aos dias de hoje. Originalmente escrevia-se funke ou fonke e o seu significado leva-nos a brilho, brilhar, faísca pelos sinónimos spark (faísca) e (to) shine (brilhar).

Apesar das diferenças a aproximação semântica leva-nos à proximidade do termo medieval com género musical a que acabou por ser associado e a representar, dado o brilho natural das composições e até o flash do seu ritmo e batidas.

A associação do termo Funk ao género musical começou com os músicos de Jazz, das décadas de 50 e de 60. Nessa altura atribuía-se ao termo o significado “sexy”. Dizer que algo era “funk” ou “funky”, era o mesmo que lhe chamar “sexy”. Ocasionalmente os músicos de Jazz, usavam o termo “funk”, para pedir aos outros músicos seus companheiros, uma batida mais ritmada e mais dançável. Numa ordem quase natural o termo começou a ser associado a alguns temas de James Brown, e acabou por batizar o género musical que com forte influência deste músico entretanto surgiu.

O Funk dá um uso muito característico aos instrumentos de cordas, o que foi essencialmente uma influência do bebop Jazz. Com a diferença de que enquanto no bebop, as cordas distinguem-se por rápidas mudanças de acordes e de ritmo, no funk, as cordas, caraterizam-se por acordes simples e “estáticos”, no sentido que se repetem ao longo da música, criando um ritmo constante essencial ao groove único do funk.

É no ritmo do Funk que se encontra o corpo do groove, através de linhas de baixo fortes e com frequente recurso à técnica de slap, que consiste em dar pancadas nas cordas do baixo, fazendo um efeito percussivo de acompanhamento à bateria, criando uma característica essencial dos temas do género.

Também os guitarristas acabam por participar na produção de ritmo, e produzir percussão com os seus instrumentos, usando pedais wah-wah, ou abafando os acordes para criar um som mais percussivo.

 No início, James Brown 

 James BrownNo início da década de 50 do séc. XX, James Brown (1933-2006) era cantor do grupo vocal de R&B The Flames. Começou a cantar muito jovem e muito jovem aprendeu a tocar harmónica e também piano e bateria. Mas também enveredou pela “vida fácil” do crime e com 16 anos esteve detido num reformatório. Quando saiu, depois de algumas tentativas de ocupação falhadas dedicou-se em pleno à música, juntando-se aos The Flames de Baby Bird. Quando em 1956 o grupo lançou o seu primeiro álbum profissional, Brown, já não era apenas um cantor do grupo, mas sim o cantor principal, e o seu relevo era tal que o no lançamento do sucesso Try me o grupo passou a ser conhecido por James Brown and The Famous Flames.

 

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Não era a banda de James Brown, como erroneamente por vezes é referida já que esta, formada em 1959 chamava-se James Brown Band e nesta sim, participavam ocasionalmente vozes e dançarinos dos The Flames. James era uma força da natureza e por si só, um espetáculo. Antes, em 1957, alguns dos membros da banda que acompanhava Little Richard, que era amigo e inspirador de Brown e que entretanto se retirou, juntaram-se aos The Flames, trazendo com eles novas ideias de ritmo que misturadas com as de James Brown e a sua banda acabarão por estar na origem do Funk.

No entanto, foi apenas na segunda metade da década de 1960, que James Brown conseguiu atingir a sonoridade que procurava criando o groove que, associado à sua voz tão característica, lhe trouxe sucesso e voltou para si a atenção do mundo.

 Em 1970 lançou já em bom ritmo funk o tema Ain’t it Funky (1970), a primeira canção a usar no nome o termo funky, mas a sonoridade já se apresentara em temas como: Bring it Up (1967), Cold Sweat (1967),  Mother Popcorn (1969) e Get Up (I Feel Like Being A) Sex Machine (1970)  entre outras.

James Brown, que além de cantor foi compositor e produtor é por muitos considerado o “pai do funk”, – The king of Funk foi uma das suas muitas alcunhas, – abrindo portas para um novo género musical e influenciando e inspirando toda uma vaga de grandes artistas e grandes grupos que por todo o mundo fizeram do Funk o género musical que hoje conhecemos. Alguns nomes que fizeram parte do início e desenvolvimento, do género são: Tower of Power, Sly & The Family Stone, The Meters, The Isley Brothers, Parliament-Funkadelic, entre outros.

George Clinton e os Parliament–Funkadelic a persistência

George Clinton, (1941-) juntamente com os Parliement-Funkadelic, (anteriormente Parliement e Funkadelic, e por ele unidos em 1975) é provavelmente um dos maiores responsáveis pela popularização

George Clintondo funk, tendo sido também pioneiros no acrescento dos elementos Rock e Soul ao Funk. A sua sonoridade era muito influenciada pelo Jazz, mas principalmente pelo rock psicadélico, onde nomes como, Jimi Hendrix, Frank Zapa e Grateful Dead, foram grandes influências. O psicadelismo dos Parliament-Funkadelic abria-se por uma forte presença da guitarra com solos longos e constantes em álbuns conceptuais, a criação de alter-egos e mundos alternativos de ficção científica para os espetáculos, e em palco (tinham um palco próprio a que chamaram Mothership) o recurso a luzes, fatos e efeitos extravagantes.

A originalidade sonora tornou-se tão característica das bandas de George Clinton que o termo “P-funk”, passou a ser usado para classificar os trabalhos do coletivo, e até o subgénero quer daí nasceu.

O primeiro single de George Clinton, surgiu em 1967 – o grupo tinha o nome, The Parliaments. Unicamente composto por vocalistas, o grupo tinha cinco elementos, dos quais George Clinton era o líder. Os restantes quatro eram: Ray Davis, Fuzzy Haskins, Calvin Simon e Grady Thomas.

Quando chegou a altura de fazer uma tour, era necessário ter uma banda de suporte para os espetáculos, deste modo George Clinton formou uma banda composta por, duas guitarras, um baixo, um órgão e uma bateria. Os músicos eram: Eddie Hazel e Tawl Ross nas guitarras; Mickey Atkins no órgão; Tiki Fulwood na bateria; e Billy Bass Nelson no baixo.

Em 1970, George Clinton, formou um novo grupo, ao qual pertenciam os elementos originais dos Parliaments, e a banda de suporte usada em tour, grupo que recebeu o nome Funkadelic. Nos Funkadelic já se notava a influência do rock psicadélico, como tal o grupo era apresentado como funk-rock. O primeiro single foi lançado no ano de formação, tal como o primeiro e segundo álbuns do grupo. O primeiro foi intitulado, Funkadelic, o segundo chama-se, Free Your Mind… and Your Ass Will Follow.

Depois do terceiro álbum, Maggot Brain de 1971, o alinhamento dos Funkadelic perdeu alguns elementos por variadas razões, no entanto adicionou muitos mais com George Clinton sempre na liderança. Até aos dias de hoje, o grupo já teve mais de cento e quarenta membros, e apesar de não ser em simultâneo, todos os que fizeram parte ficam registados como elementos da “família” e não é raro em concertos, assistir-se a uma formação de quinze elementos em palco, o que também não é um número pequeno. Nos seus membros, estão incluídos músicos conhecidos do público, por trabalhos anteriores aos Parliament-Funkadelic, tais como Bootsy Collins e Horny Horns, que eram músicos da banda de James Brown.

Neste momento o grupo já conta com quinze álbuns de originais, sendo que treze dos quais foram lançados entre, 1970 e 1981, e apenas dois foram lançados já no século XXI, em 2007 e 2008. Nos quinze álbuns estão incluídos grandes títulos como os já citados Free Your Mind… and Your Ass Will Follow, e Maggot Brain, e outros como Cosmic Slop,, Tales of Kidd Funkadelic, One Nation Under a Groove e Uncle Jam Wants You.

Desde 1981, que o nome Parliement-Funkadelic não é usado em tour, no entanto, estas continuam a acontecer regularmente, agora sob o nome George Clinton & The P-Funk All-Stars.

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Bruno Freitas
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