Wu-Tang Clan

Wu-Tang Clan a revolução do Hip Hop

17 de dezembro, 2014 0 Por Bruno Freitas
Modo Noturno

Wu-Tang Clan

 

Nova Iorque, Novembro de 1993, a Loud/RCA records dá a conhecer ao mundo Enter the Wu-Tang (36 Chambers), o primeiro álbum daquele que viria a ser considerado pela Rolling Stone, o melhor grupo de Hip Hop de sempre. Álbum esse que viria a mudar o estilo e a indústria musicais para sempre. Apresentando-se com nove MCs, cada um com um estilo diferente, o Wu-Tang Clan abordou o Hip Hop de uma perspetiva nunca antes vista. Usando beats de bandas sonoras de filmes de kung-fu, combinados com letras compostas por metáforas surpreendentes e alucinantes, criaram uma sonoridade bruta mas viciante, que se tornou reconhecível em qualquer canto do mundo. Em termos melódicos e líricos é tão avassalador que de facto ninguém lhes fica indiferente.

Wu-Tang Clan III

Cada MC assume um alter-ego formado por algumas das características de personalidade mais singulares de cada um. Os nomes são, Rza, Gza, Ol’ Dirty Bastard, Inspectah Deck, Raekwon, U-God, Ghostface Killa, Method Man e Masta Killa. Posteriormente apareceu um 10º membro, Cappadonna e foi feito e aceite o convite para 11º membro, a Redman.
Não é fácil definir os Wu-Tang Clan, na medida em que pelo caminho mais curto podemos vê-los simplesmente como um grupo de rappers, mas entrando um pouco na sua história podemos encontrar um movimento de cariz filosófico profundamente exotérico, ou mesmo como uma escola, mas pelo meio não ficam dúvidas de que como grupo já se tornaram culto.
Eles encarnam todo o mundo Hip-hop com rappers, Djs, graffiters e street dancers, e todo o Hip-hop está nos Clan. O nome do grupo e do primeiro álbum foi inspirado no filme de 1978 The 36th Chamber of Shaolin e pelo percurso iniciático dos monges  naquele mosteiro budista. A sua coesão e orgânica de grupo e a sua preponderância e ascendência é tal que os seus elementos usam termos de linguagem próprios entre si e por exemplo a partir do seu tema CREAM-Cash Rules Everything Around Me, o termo Cream passou, no calão do género a substituir a palavra dinheiro.

https://www.youtube.com/watch?v=twa-Q6HRwH8U?rel=0&w=760&h=520

A importância do Wu-Tang Clan também se pesa pela influência que o grupo teve tanto na comunidade de onde saíram os seus elementos, como em toda a comunidade Hip Hop – e não só pelas músicas e letras, – e na própria Indústria, e pela forma de abordar o negócio.

Começando pela influência na Indústria, o Wu-Tang Clan foi tão inovador na abordagem do negócio e demonstrou uma força tal que conseguiu um contrato com todas as condições exigidas e com a possibilidade de os membros assinarem contratos a solo, distintos com outras editoras, situação que nunca tinha acontecido até então.
No que toca à influência que têm na comunidade, o Wu-Tang Clan, mais do que um grupo musical apresenta-se como uma empresa, quase uma corporação, onde se destaca, por exemplo, um segmento dedicado ao vestuário, a Wu-Wear que vende todo o tipo de marschandising do Clan. De realçar que nesta empresa, e muitas das atividades que existem à volta do grupo os postos de trabalho e a própria gestão são preenchidos por familiares e amigos. Ato que é assumido como forma de retribuição à comunidade.
Depois do lançamento do primeiro álbum e respetiva tour, o Clan, baralha a indústria, e lança alguns dos seus artistas em experiências a solo. Experiências essas, que foram tão bem sucedidas, como a de grupo. Os álbuns a solo lançados, foram: 6 Feet Deep, pelos Gravediggaz, de Rza de 1994; Tical, pelo Method Man de 1994; Return to the 36 Chambers: The Dirty Version, por Ol’ Dirty Bastard (ODB) de 1995; Only Built 4 Cuban Linx, por Raekwon de 1995; Liquid Swords, por Gza de 1995 e por último Ironman, de Ghostface Killa de 1996. Todos os álbuns a solo foram produzidos pelo Rza, e excetuando o do próprio, todos foram discos de ouro.
O impacto de entrada foi tal que na altura do segundo álbum de grupo já o Clan “estava por todo o lado”, em participações tanto em conjunto como individualmente em álbuns dos maiores nomes do Hip Hop, a pedido destes. Entre eles contam-se: Dr. Dre, Cypress Hill, Tupac, Notorious B.I.G., Rakim, Nas, EPMD, Redman, KRS-One, Master P, Easy Mo Bee, Mobb Deep, Busta Rhymes, Erick Sermon, AZ, Kool G Rap, Dj Muggs, Kanye West, LL Cool J, Big Pun, entre outros.

O segundo trabalho coletivo do grupo, Wu-Tang Forever, deu à rua em 1997 e é visto com sinais de amadurecimento do grupo e com maior consciência social. Alguns consideram-no um manual de vida, com ensinamentos de rua, de política, de religião, de filossofia, etc. Com este álbum, com o qual atingiram a 6x platina (já vendeu mais de 8.3 milhões de cópias até ao dia de hoje), o Wu-Tang Clan solidificou definitivamente o seu lugar como grupo de “casa cheia”, não só nos Estados Unidos, mas, em todo o mundo.
No período entre 1998 e 2000, o Clan lança uma segunda vaga de álbuns a solo, esta já com álbuns dos restantes membros, os que não tinham participado na primeira vaga. Estes (relativamente aos membros que não apareceram na vaga anterior) são: Golden Arms Redemptiom, de U-God de 1999 e Uncontrolled Substance, de Inspectah Deck também de 1999. Os restantes lançaram os seus segundos álbuns a solo, que são: Bobby Digital In Stereo, por Rza de 1998; Tical 2000: Judgement Day e Blackout! (com Redman), de Method Man de 1998 e 1999 respetivamente; Beneath the Surface, por Gza de 1999; Nigga Please, por Ol’ Dirty Bastard de 1999; Immobilarity, de Raekwon de 1999; e finalmente Supreme Clientele, por Ghostface Killa de 2000. Esta segunda vaga, não foi tão bem recebida pelo público como a primeira, ainda assim, quase todos os álbuns, foram discos de ouro, e destes houve alguns como por exemplo, os de Method Man que atingiram estatuto platina.

Nos anos de 2000 e 2001 foram lançados mais dois álbuns de grupo, estes com o nome de The W (de 2000) e Iron Flag (de 2001), ambos Wu-Tang Clan IIIsem ODB, que se encontrava preso. Mesmo assim, os dois álbuns foram discos de ouro, e o primeiro foi também disco platina. Os tempos que se seguiram desde Iron Flag, até ao fim do ano 2004, foram provavelmente os tempos mais negros que o Clan atravessou.

Preenchido por múltiplos desentendimentos entre membros, culminando na morte de Ol’ Dirty Bastard (um dos membros fundadores), a 13 de Novembro de 2004. A nuvem que pairava sob o grupo na época, era tão negra que, toda a indústria chegou a questionar se, mais alguma vez voltaria a haver Wu-Tang Clan.

Em Dezembro de 2007, é dada resposta a todas as duvidas e criticas com, 8 Diagrams, o quinto álbum de grupo e o primeiro após a morte de ODB. Este álbum, apesar de não ter tido o sucesso de vendas que os anteriores tiveram, foi pela generalidade dos fãs e indústria bem aceite e apreciado. O menor volume de vendas, também poderá ser justificado, pelo facto de nesta altura já termos entrado em plena época do digital e consequentemente, dos downloads ilegais.
Seguidamente ao quinto álbum de grupo, sucedeu a terceira ronda de álbuns a solo, que se ficou por um sucesso moderado na generalidade dos trabalhos e que termina em 2010.
Desde 2010 até ao presente, foram lançados mais alguns álbuns a solo, por Inspectah Deck e por Ghostface Killa e estão ainda anunciados os de Method Man e do Raekwon. Em 2013, os Wu-Tang Clan comemoraram os seus 20 anos de existência, ocasião que celebraram com todos os concertos “sold out” e edições especiais do primeiro álbum Enter the Wu-Tang (36 Chambers).
Em 2014, lançaram o sexto álbum de grupo com o título, A Better Tomorrow. Neste álbum, o Wu-Tang Clan, volta às origens com instrumentais completamente diferentes do que está na moda e com a qualidade que o grupo nos tem habituado ao longo dos anos, resultando num grande álbum, que demonstra que o Clan está vivo e de boa saúde. Neste momento, o álbum está no terceiro lugar da Billboard, na lista de Hip-Hop.

https://www.youtube.com/watch?v=GhCNBsoLkjE?rel=0&w=760&h=520


 

Bruno Freitas
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